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E-commerce: cultura instalada e em crescimento

Por: Redação, ⌚ 23/10/2020 às 17h10 - Atualizado em 29/10/2020 às 16h17

Artigo destaca a aceleração do modelo de compras online, um fenômeno cultural que ignorou fronteiras


Por Bruno Noale


Muita gente estava acostumada a usar a internet com uma finalidade puramente social, como navegar por redes sociais e aplicativos de mensagens. Mas ainda existe certa resistência a processos que envolvam pontos sensíveis de informação, como fazer transações bancárias ou fornecer informações financeiras. Essa ainda é uma barreira que separa o consumidor do e-commerce. Porém, a pandemia forçou certas mudanças de comportamento e quebras de paradigmas e é por isso que no primeiro semestre deste ano o país registrou o maior aumento dos últimos 20 anos.


Agora que esse tabu foi desfeito, será cada vez mais comum nos depararmos com pessoas navegando pelo varejo online. Um levantamento do Instituto Locomotiva mostra que 50% dos frequentadores de livrarias e papelarias que foram entrevistados já não farão questão de ir até as lojas físicas após a normalização completa do comércio. Essa porcentagem é seguida de perto por frequentadores de setores como infantil, perfumaria, petshop e lojas de departamentos. Ainda de acordo com dados do Instituto Locomotiva, 10% da população comprou pela primeira vez online. O estudo mostra também que 45% dos que já compravam passaram a comprar mais.


A aceleração do uso do modelo de compras online é um fenômeno cultural que ignorou fronteiras. Foi fortemente alimentada pelo cenário de pandemia, cujas medidas obrigatórias de confinamento e restrição de circulação fez disparar as vendas dos e-commerces em todo o planeta, fidelizando usuários já acostumados com o botão ‘confirmar a compra’ e cativando novas pessoas, que ainda tinham receios, por falta de confiança ou por não estarem familiarizadas com o uso de plataformas tecnológicas.


Entre abril e junho, em paralelo à expansão da pandemia, o comércio online registrou um crescimento no Brasil de 57% no volume de pedidos e 70% no faturamento. Houve ainda aumento de 68% nas compras durante o período de Dia das Mães e a Black Friday, já no radar, será, certamente, histórica. Dados como esses só reforçam o fato que o isolamento provocou grandes transformações comportamentais em nossa sociedade e que esse movimento é uma tendência que veio para ficar.


Embora a ampliação tenha sido global, seria leviano comparar outros mercados com a realidade brasileira. É verdade que estamos de olho em tendências e no que as economias avançadas estão fazendo, principalmente com relação à transformação digital. Hoje, boa parte das empresas já entendem a importância de estar online e se movimentam para estabelecer suas marcas na internet. Porém o Brasil tem algumas peculiaridades que nos diferenciam e impossibilitam um comparativo homogêneo.


A principal delas tem viés social. A edição 2019 da TIC Domicílios – um dos principais levantamentos sobre acesso às tecnologias da informação e comunicação – mostra que apenas 58% dos brasileiros já utilizaram um computador e que de acordo com a pesquisa de 2019, 28% dos domicílios ainda não possuem acesso à internet. Nos Estados Unidos, a conexão está presente na vida de mais de 90% da população.


Embora ainda estejamos carentes de investimentos na ampliação ao acesso a computadores, a começar pela disponibilidade em escolas públicas – um imenso desafio de nosso sistema educacional -, estamos entre os maiores usuários de redes sociais no mundo. É um contraste interessante que ajuda a entender o recorde registrado no Brasil no primeiro semestre de 2020, que movimentou R$ 38 bilhões. Imagine se tivéssemos as mesmas condições de acesso que desfrutam norte-americanos e europeu.


Os números são animadores mas há ainda muitos desafios em todas as etapas da cadeia para tornar o comércio online a primeira opção do cliente. Isso vai desde a universalização do acesso à internet (questões sociais) até a reformulação dos e-commerces, com processos mais seguros, de fácil usabilidade e com atendimento ágil. A logística, claro, também é parte fundamental nisso e o seu papel na fidelização do cliente é extremamente relevante.


No início da pandemia aguardávamos uma estabilidade, movida pelo equilíbrio entre o aumento da troca do offine para online.  No entanto, boa parte do mercado brasileiro foi surpreendido com crescimentos na casa dos três dígitos e o e-commerce confirmou sua vocação de se transformar em protagonista na rotina de compra das pessoas.


Com a superação de algumas barreiras culturais e estruturais não há motivos para o Brasil não alcançar patamares tão altos quanto o de outros países. Temos criatividade e perseverança para desenvolvermos soluções tecnológicas  que fortalecerão os pilares de segurança e profissionalismo que o mercado exige. A bússola jamais esteve tão bem ajustada.


*Bruno Noale é Vice presidente Comercial e de Operações e CCO da Mandaê.

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