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Alerta no varejo: como evitar o prejuízo de R$ 23,26 bilhões usando dados?

Por: Redação, ⌚ 04/08/2021 às 12h57 - Atualizado em 04/08/2021 às 12h57

Autor destaca que um dos caminhos é o conhecimento dos dados apontados nas perdas para que as áreas direcionem esforços e investimentos baseadas no entendimento de onde a redução dos prejuízos nos estoques irão gerar mais valor para os negócios


Por Rodrigo Castro


A pesquisa de prevenção de perdas de estoque realizada pela Abrappe (Associação Brasileira de Prevenção de Perdas) e Abras (Associação Brasileira de Supermercados) aponta que o varejo brasileiro perdeu aproximadamente R$ 23,26 bilhões, o que representa 1,33% sobre o faturamento bruto das empresas. Os dados mostram que esse prejuízo, apesar de ter origem operacional, é um tema estratégico, pois pode definir a lucratividade ou o prejuízo das organizações, principalmente para alguns segmentos que operam com margens mais enxutas, como o varejo alimentar, por exemplo.


Quando se olha a distribuição das perdas, a pesquisa aponta que, em geral, 30,19% são quebras operacionais, ou seja, decorrentes de problemas da operação, como vencimentos e avarias. O restante ocorre por causas desconhecidas, que podem envolver o sumiço do item comprado durante o seu fluxo logístico ou também por algum erro administrativo que gerou inconsistência dos resultados. Vale comentar que esta proporção varia muito entre os segmentos.


No varejo alimentar, por exemplo, as quebras operacionais tendem a ser mais altas, chegando a 75,89% do total para os hipermercados e 71,9% para supermercados convencionais. Isto acontece devido à alta perecibilidade do sortimento. O setor de FLV (Frutas, Legumes e Verduras) é o que mais sofre impactos de quebra operacional, chegando a 90% do total das perdas, seguido das Drogarias, que registram perdas de 67,32% nesta modalidade.


Analisando este cenário, a prevenção de perdas em varejistas com alta quebra operacional deve focar na diminuição de problemas internos que causam o desperdício, como o excesso de pedido, o sortimento inadequado para o ponto de venda, a precificação incorreta, o funcionamento incorreto de equipamentos de refrigeração e o excesso de exposição do item. Isto se faz com uso intensivo de dados que geram insights para que a prevenção de perdas possa auxiliar o negócio na tomada de decisão, baseando-se não apenas na geração de receita, mas também na preservação da rentabilidade.


Do outro lado estão os varejistas com altas perdas desconhecidas. Os segmentos de esportes, eletroetrônicos, móveis e os magazines apresentam as maiores proporções. Em esportes, o índice chega a 89,19%. Em eletroeletrônicos e móveis, o volume alcança a casa dos 86,19% e nos magazines, gira em torno de 86,5%. Neste caso, o tratamento das perdas desconhecidas é mais complexo por dois fatores. Em primeiro lugar, a apuração é demorada, pois depende da realização de inventários. Em segundo, gera dúvidas devido aos erros de contagem e consequente inacuracidade dos resultados.


Logo, varejistas com este perfil precisam ter maior intensidade de inventários e traçar hipóteses claras para as causas, pois, ao contrário das quebras operacionais, isso não é claro. Os Produtos de Alto Risco (PAR) têm alto valor agregado e amplo desejo de posse. Assim, a hipótese mais factível é de furto na cadeia de valor. Itens de baixo valor agregado e que possam ser confundidos na contagem, como, por exemplo, iogurtes de diferentes sabores, podem ter sido contados de forma errada.


É importante que as áreas de prevenção de perdas direcionem esforços e investimentos baseadas no entendimento de onde a redução dos prejuízos nos estoques irão gerar mais valor para os negócios. Acompanhar essas falhas deve ser um mecanismo de preservação da rentabilidade do varejista em busca do conceito de geração de valor, ou seja, ampliar a margem do negócio.


*Rodrigo Castro é diretor de Business Performance & Innovation (BPI) na ICTS Protiviti.

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