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Em 2021, data centers serão tão críticos quanto concessionárias de energia

Por: Redação, ⌚ 12/01/2021 às 17h04 - Atualizado em 12/01/2021 às 17h09

Experts da Vertiv apontam as principais tendências em infraestrutura crítica digital para este ano; a digitalização acelerada, a sustentabilidade e o edge reforçado por recursos de data centers hyperscale são parte desse quadro


Conforme o mundo passou a ser on-line da noite para o dia, a economia passou a depender mais e mais dos data centers. Em 2021, o data center e o ecossistema da informação que orbita ao seu redor terá uma criticidade similar a das concessionárias de energia – é um quadro de dependência real do mundo digital. É o que apontam as tendências para 2021 identificadas pelos experts em economia digital da Vertiv.


Os data centers há muito mantêm altos padrões de disponibilidade, mas a mudança para o status similar ao das concessionárias de energia será percebida de duas maneiras. As altas expectativas em relação à disponibilidade da rede se estenderão até áreas rurais e remotas, levando aplicações críticas para uma fatia maior da população. Isso aumentará a pressão sobre os data centers para garantirem a conectividade inclusive fora dos grandes e médios centros urbanos. Outro resultado desse quadro é a extinção de qualquer distinção entre disponibilidade e conectividade. Garantir e proteger conexões ao longo das redes híbridas cada vez mais distribuídas é, hoje, um requisito tão necessário quanto qualquer medição tradicional do uptime do data center.


“Os data centers têm se movido em direção ao perfil de concessionária de serviços públicos há algum tempo, mas a pandemia cristalizou a necessidade de contar com as proteções oficiais que já são comuns em outras concessionárias,” disse Gary Niederpruem, diretor-executivo de estratégia e desenvolvimento da Vertiv. “Isso não diz respeito apenas ao trabalho remoto. Trata-se de dar suporte à economia digital nas suas formas de missão mais crítica, que incluem a dependência cada vez maior da telemedicina e saúde, comércio eletrônico, telecomunicações globais e mídias de massa.”


A pandemia estabeleceu de forma eficaz uma nova base de referência para a infraestrutura digital. Nesse cenário, os especialistas da Vertiv identificaram diversas outras tendências a serem observadas em 2021. Elas são:


Digitalização mais acelerada do que nunca (Fast Forward): A COVID-19 terá um efeito duradouro sobre a força de trabalho e sobre o ecossistema de TI que dá suporte ao modelo de home office/teletrabalho. Os especialistas da Vertiv acreditam que os investimentos em infraestrutura de TI motivados pela pandemia aumentarão, possibilitando recursos de trabalho remoto mais seguros, confiáveis e eficientes. Visibilidade e gerenciamento remotos seguros serão fundamentais para o sucesso destes modelos de home office.


A oferta de serviços remotos surgiu para minimizar a necessidade de chamadas para serviços no site e essas práticas deverão continuar muito além da pandemia. Quaisquer passos cautelosos dados no início da crise serão acelerados conforme a pandemia vá continuando em 2021. As organizações aceitarão que essas mudanças não são um desvio temporário, mas sim um ajuste permanente na forma como trabalhamos e fazemos negócios. Conforme o tempo passa, o que é feito presencialmente versus o que é feito remotamente mudará, e a mudança será impulsionada por clientes buscando minimizar suas interações presenciais. Isso coloca valoriza a conectividade, o monitoramento remoto, análise de dados e o uso de inteligência artificial para tomada de decisões.


“A recuperação pós-pandemia requer uma mudança de mentalidade para a maioria das organizações, não há volta. Precisa haver uma reinicialização focada em seguir adiante.” disse John-Dabid Lovelock, vice-presidente de pesquisas da Gartner, em uma recente declaração.


Capacidades dos grandes data centers chegam ao Edge: O edge atual é mais crítico e mais complexo, atuando como uma extensão do data center ao invés de ser um simples rack de TI, como no passado. Os custos e a complexidade muitas vezes evitaram a implementação das melhores práticas dos data centers nesses espaços, mas isto está mudando. Os especialistas da Vertiv preveem um foco contínuo em trazer as capacidades do nível de data centers hyperscale e empresariais para esses sites de edge. Isso inclui maior inteligência e controle, uma maior ênfase na disponibilidade e no gerenciamento térmico e mais atenção para a eficiência energética entre sistemas.


A foco sobre 5G muda para o consumo e eficiência energética: Nesse estágio inicial do planejamento e implementações de 5G, a discussão estava corretamente focada nos principais benefícios da tecnologia – maior largura de banda e menor latência – e as aplicações que ele possibilitará. Mas, conforme muitos países comecem a lançar seu 5G em 2021, e os pioneiros na adoção comecem a impulsionar a amplitude e a escala, o foco mudará para os aumentos consideráveis no consumo de energia trazido pelo 5G e as estratégias para implementá-lo de forma mais eficiente e eficaz. A densificação de rede necessária para transformar a promessa do 5G em realidade inevitavelmente se soma ao aumento da demanda por energia – estimada em 3,5 vezes maior do que a do 4G. Em 2021 veremos maior foco no gerenciamento desse aumento no consumo de energia através do uso de produtos e práticas mais eficientes.


A sustentabilidade é uma prioridade: O 5G faz parte de uma história mais ampla de sustentabilidade. Conforme a proliferação de data centers continua e acelera, especialmente no espaço de hyperscale, esses fornecedores de cloud e colocation se deparam com um maior escrutínio do seu uso de água e de energia. A amplificação das conversas sobre mudanças climáticas e a mudança nos ventos políticos nos Estados Unidos e globalmente irão apenas aumentar o foco na indústria de data centers, que é responsável por aproximadamente 1% do total do consumo mundial de energia. 2021 verá uma onda de inovações focadas em eficiência energética em todo o ecossistema de data center. Os benefícios para os operadores de data centers são claros: reduções de custos, conformidade com regulamentações existentes e previstas e o prestígio que vem com o estabelecimento de uma posição de liderança no movimento global de sustentabilidade. É essencial identificar as inovações importantes no espaço de infraestrutura de data centers, especialmente na área de gerenciamento térmico.


“A refrigeração é responsável por aproximadamente 30% do consumo de energia de um data center, independentemente de seu tamanho. Em 2021, a economia digital na América Latina continuará a crescer e a expansão dos data centers continuará a ocorrer, mas é fundamental que esse movimento aconteça seguindo as melhores práticas de sustentabillidade,” disse Rafael Garrido, vice-presidente da Vertiv América Latina.

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