>> Mercado

Agora, o WiFi pode ser “smart”

Para Christian Maki, da Logicalis, as empresas podem adicionar capacidades de análise comportamental dos usuários nesse serviço e deixa-lo mais inteligente, com recursos de personalização de campanhas e interação com o consumidor

Por: Redação, ⌚ 20/10/2017 às 15h11 - Atualizado em 20/10/2017 às 15h21

Em fevereiro deste ano, a consultora de análises de dados Open Signal publicou a pesquisa “Global State of Mobile Networks”, na qual destaca que, apesar da abrangência do 4G no mundo, o WiFi continua sendo uma tecnologia importante no sistema de comunicações móveis. De acordo com o estudo, os usuários de smartphones de 38 países passam mais tempo conectados à uma rede WiFi do que à rede do celular, e, no caso específico do Brasil, essa porcentagem chega a 53,4%

 

Diante desses dados, não é de se surpreender que na América Latina o número de hotspots WiFi tenha crescido 1.405% desde 2013, de acordo com o IPass, fornecedor mundial de acesso WiFi. Hoje em dia, é cada vez mais comum ter internet sem fio gratuito em aeroportos, cidades, meios de transporte, shoppings e cafeterias.

 

Contudo, apesar do aumento na adoção de dispositivos móveis, da proliferação de apps e dos novos hábitos de consumo, aqueles que oferecem conectividade sem fio através de redes WiFi desconhecem o potencial existente. Se adicionarmos a este serviço algumas capacidades de análise comportamental dos usuários com base nos dados disponíveis em rede sociais, integração com serviços de triangulação ou com o uso de sensores (como beacons), a informação de localização será mais precisa e haverá a possibilidade de enviar ao cliente ofertas personalizadas. Da mesma forma, é possível gerar campanhas de marketing orientadas de acordo com o gênero e a idade dos consumidores.

 

Aos poucos, começamos a ver alguns casos de uso. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, uma importante agência de publicidade lançou um modelo de negócios no qual é oferecida uma infraestrutura de acesso WiFi grátis em bares e restaurantes. Em troca, ela obtém o perfil dos usuários que se conectam e, com base neles, implementa campanhas de marketing direcionadas por meio de um portal de acesso ao serviço de internet. Na cidade de Medellín, na Colômbia, o governo lançou uma campanha de WiFi grátis em espaços públicos com a finalidade de oferecer conexão à Internet aos cidadãos e habilitar um canal de comunicação e informação de interesse para a comunidade.

 

Proporcionar WiFi grátis não é apenas um serviço para os clientes, mas uma oportunidade para interagir com eles, conhecer seus hábitos de consumo e a forma como se movimentam em um espaço comercial, além de possibilitar a oferta de produtos e serviços personalizados em tempo real. Por essas razões, o WiFi está mais vivo do que nunca, mas agora é a hora de conferir mais inteligência a ele.

 

*Christian Maki é especialista em redes de acesso da Logicalis

>> Panorama