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Itaú Unibanco aposta na cloud para entrar na onda do Pix

Por: Léia Machado, ⌚ 03/12/2020 às 11h41 - Atualizado em 03/12/2020 às 11h41

Sistema instantâneo de pagamento do banco nasceu na nuvem e outros serviços seguem no mesmo caminho. Instituição fechou contrato de 10 anos com a AWS para uma jornada de transformação digital pautada em cloud computing


O Itaú Unibanco é uma instituição financeira tradicional, com quase 100 anos de existência, 56 milhões de clientes só no Brasil e pautado na tecnologia. De acordo com Ricardo Guerra, CIO da companhia, a história do banco com a TI começou em 1973 e até hoje vive um processo evolutivo, sendo que na última década, os investimentos em transformação digital foram pautados para modernização do parque tecnológico e para melhorar o atendimento ao cliente.


Essa estratégia deu certo e permitiu que o core do Pix fosse rodado inteiramente na nuvem. “Quando chegou para nós a normativa do Banco Central, entendemos que já tínhamos maturidade para rodar o projeto na cloud e apostamos nesse modelo. Claro que tem alguns sistemas do Pix que ainda rodam no legado, mas o core desse produto, todo motor transacional e atendimento ao cliente está na nuvem”, pontua o CIO durante webinar re:Invent 2020, da AWS, que acontece essa semana no formato online.


O executivo acrescentou ainda que fechou um contrato de 10 anos com a AWS para seguir na jornada de transformação digital, colocando os sistemas na nuvem, principalmente os que são ligados diretamente aos clientes, além dos que suportam tomadas de decisão. Além do Pix, produtos como cartões de crédito e plataforma de investimento, por exemplo, rodam em nuvem.


“Não estamos em um campeonato mundial de migração pra cloud, nosso objetivo é entregar serviços robustos para nossos clientes. Logo, vamos seguir o plano de evolução da nossa arquitetura, algo que fazemos há anos e que é um processo natural de amadurecimento da própria tecnologia”, completa. O objetivo do banco é ser competitivo na era digital do sistema financeiro, para isso, vai migrar tudo que impacta o atendimento ao cliente e o que gera dados para apoiar as tomadas de decisão.


Questionado sobre o legado de mainframe, o CIO destacou também que não está em uma competição de desligamento de sistemas legados e garante que não tem interesse em sair desligando tudo. A ideia é tornar o banco mais competitivo com reconstrução pontual a fim de garantir um ambiente mais flexível e ágil, aos moldes do que a digitalização pede das empresas.


“O legado só se torna lento e pesado se você não acompanhar a evolução da tecnologia. O mainframe também tem atualizações e tem muito a entregar. O problema não está na tecnologia, mas na aplicação, você precisa moldar de acordo com o que tem de mais inovador. Ao longo das décadas, nossa arquitetura foi se moldando e evolui constantemente”, dispara.


Parceria


O Itaú Unibanco também levará suas principais plataformas bancárias, soluções de call center, aplicativos bancários online e móveis para a AWS, criando uma arquitetura tecnológica mais flexível e eficiente que ajudará o banco a introduzir novos serviços para o cliente de forma mais rápida e com custos operacionais mais baixos. 


Além disso, o banco aproveitará a infraestrutura da nuvem, incluindo analytics, machine learning, serverless, contêineres, banco de dados gerenciado, processamento, armazenamento e segurança, para captura de informação e insights que permitam o desenvolvimento de novas linhas de negócios e aplicativos com segurança e dentro da conformidade regulatória. O banco também planeja capacitar milhares de seus colaboradores, além dos 1.300 profissionais já treinados em tecnologias avançadas em nuvem, para estimular e acelerar a inovação. 


O Itaú Unibanco utiliza a Amazon Elastic Compute Cloud (Amazon EC2) para o Pix e Amazon Elastic Container Service (Amazon ECS) e o AWS Lambda (serviço de computação serverless), para lançar e escalar novas ofertas de serviços financeiros, incluindo o iti, plataforma de conta digital gratuita do banco.


Ao modernizar a Credicard, uma das maiores plataformas de cartão de crédito do Brasil, o banco está criando uma plataforma digital de pagamentos e serviços bancários que pode incorporar novos recursos para atender às necessidades dos clientes.


Toda jornada de modernização do Itaú Unibanco tem como objetivo processar transações financeiras de forma rápida, confiável e segura, além de permitir a construção de novos aplicativos com uma arquitetura de microsserviços, aproveitando as tecnologias de análise e machine learning para obter insights mais profundos sobre as necessidades bancárias de seus clientes e oferecer experiências mais personalizadas.


“Quando olhamos para um parceiro, é como um casamento, não adianta apenas um ganhar. Itaú e AWS são empresas que valorizam a parceria, os resultados em comum e, principalmente, a satisfação do cliente. Isso vem nos ajudado a mudar o mindset com uso de métodos ágeis e perfil digital, ações fundamentais para disseminarmos cultura digital de dentro para fora”, finaliza Ricardo Guerra.

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