O maior desafio para o mercado de Telecom nos próximos dois anos será se adaptar às exigências dos clientes. Enquanto fornecedores se concentram na era da convergência de produtos e serviços, os usuários buscam soluções capazes de atender suas necessidades específicas. A vertical consome 22% de todo o aporte em Tecnologia da Informação e, ao contrário dos bancos, é considerada agressiva em relação às novas tecnologias.
Para 2007, a tendência é que os investimentos se concentrem no provimento de soluções para o mercado corporativo. “As pequenas e médias empresas ainda destinarão um montante significativo na adoção de banda larga, principalmente ADSL. Já as grandes companhias focarão em aplicações de telefonia IP e mobilidade”, lembra Luis Minoru, diretor do Yankee Group para a América Latina.
As demandas corporativas conduzem os investimentos das teles para modernização da estrutura e busca de alternativas mais acessíveis, capazes de propagar o uso das soluções de telecom. Uma das tecnologias que promete movimentar o setor é o WiMAX. Entretanto, o executivo lembra que a banda larga sem fio ainda depende de aspectos legais para que as operadoras passem a investir de forma mais efetiva.
Outro desafio para as empresas do setor será aprimorar a qualidade das conexões. “Cada vez mais as empresas estão adotando redes inteligentes, com uma nova geração de aplicações para comunicação unificada”, lembra Minoru.
O diretor aponta também para mudanças no modelo de negócios das operadoras e destaca que a sinergia entre TI e Telecom obriga o mercado a oferecer soluções conjuntas. “Acredito que isso pode impactar na consolidação das empresas, ou mesmo em modelos mais sólidos de parcerias”, lembra.
Business Intelligence, CRM e Billing também são tecnologias que, apesar de já fazerem parte do ambiente tecnológico das operadoras, devem ser renovadas. O destaque fica por conta do BI, já que as operadoras fizeram altos investimentos em CRM nos últimos anos. “As empresas recolheram uma série de informações sobre os clientes e agora precisam de ferramentas que ajudem a utilizar esses dados. Da mesma forma, as teles farão investimentos para oferecer tarifação diferenciada e modelos cada vez mais flexíveis de pacotes”, observa Minoru.
Em ritmo decrescente
Por outro lado, recente pesquisa divulgada pela Abeprest (Associação Brasileira de Empresas de Soluções de Telecomunicações e Informática) identificou que os investimentos totais das operadoras de telefonia fixa e móvel, em 2007, não devem passar dos R$ 11,5 bilhões, o que poderá representar uma queda de até 8,3% em relação aos R$ 12 bilhões previstos para 2006.
Para as operadoras móveis, o aporte esperado para 2007 é de R$ 1,3 bilhão, o mesmo patamar do previsto para este ano. A maioria das operadoras GSM irão manter os baixos níveis de aplicação de capitais no segmento de prestação de serviços, aguardando a possível entrada da 3G no País, a partir de 2008, aponta o estudo.
Entretanto, segundo a entidade, as operadoras fixas devem aumentar em 4% seus investimentos nesse segmento, passando de R$ 2,4 bilhões neste ano, para R$ 2,5 bilhões em 2007. O instituto aponta que os aportes devem focar as aplicações de banda larga e IP de olho na oferta de serviços triple play.