O mercado de software de gestão empresarial foi testemunha de grandes mudanças nos últimos anos. A começar pela consolidação que afetou empresas nacionais e internacionais trazendo grandes grupos para disputar o mercado de ERP no Brasil.
A abertura de capital de empresas como Datasul e o grupo Totvs deu fôlego para brigar com as gigantes Oracle e SAP. Novos modelos de negócio se popularizaram como a venda de software como serviço e a tendência de verticalização segue a ritmo acelerado.
Na disputa pelo segmento de varejo, o clima promete esquentar. Esta semana, foi anunciada a compra da Gemco, principal fornecedora do software para a vertical varejo, pela Bematech, que desenvolve soluções de automação comercial. O grupo curitibano também arrematou 51% do capital da GSR7, prestadora de serviço focada no segmento. A união de três grandes forças na área de hardware, software e serviços, contempla a formação de mais um grande grupo, que contará com 1,1 mil funcionários e faturamento estimado em R$ 300 milhões para 2007.
“As empresas continuarão com unidades de negócio independentes, pois muitas têm parceiros importantes que são concorrentes da Bematech. Mas a idéia é criar uma unidade de soluções, que englobará os produtos das três companhias”, conta Marcel Malczewski, presidente da Bematech.
Com a nova estrutura, o grupo inicia processo de organização para abrir capital no novo mercado da Bovespa em meados de 2007. “Ganharemos fôlego para fazer novas aquisições a partir do segundo semestre do ano que vem. Estamos prevendo um free float de cerca de 40%”, acredita Malczewski.
Outra iniciativa será a ampliação das ações da empresa no mercado internacional. A Bematech já tem escritórios na América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia. As previsões refletem essa agressividade. Em 2005, a receita com o mercado exterior foi de US$ 300 mil. Este ano, deve chegar a US$ 1,5 milhão e para o ano que vem a projeção é de US$ 6 milhões. A meta, segundo o presidente, é ter 15% da receita do grupo proveninete de vendas no exterior.
Na mira dos grandões
A aquisição da Gemco não era novidade no mercado, a empresa já aparecia nos relatórios de bancos de investimento como uma das companhias que deveriam passar por processo de incorporação. Entretanto, as expectativas sempre apontaram para as fornecedoras focadas em soluções de software e não a Bematech, uma empresa de hardware.
Outra relação inversa entre as duas empresas, apesar de participarem da mesma vertical, é o perfil da carteira de clientes de cada uma. A Gemco tem 90% de sua receita baseada no setor supermercadista, construção, moda, etc. Já na Bematech, a relação é exatamente inversa, com a maior parte dos ganhos da empresa vindo de pequenos varejistas como farmácias e padarias.
Nelson Massud, presidente da Gemco, confirma que foi sondado por grandes empresas como Oracle, SAP, Datasul e mesmo o grupo Totvs, mas acredita que a venda para a Bematech traga mais benefícios para a empresa. “De fato as ofertas ocorreram, mas a proposta da Bematech nos pareceu mais interessante, mesmo porque já era um parceiro da Gemco de longa data”, confirma.
A Gemco possui 289 colaboradores e teve faturamento de R$ 28 milhões em 2006. A empresa recentemente adquiriu a C&S, focada no segmento farmacêutico, que já está incorporada ao grupo Bematech.