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Atacadistas otimizam processos com WMS

Moacir Drska     04/01/2010

A adoção do WMS no mercado atacadista já é uma realidade para as grandes empresas do setor, que vêm investindo nessas soluções há bastante tempo. Um bom exemplo dessa situação é o Martins Comércio e Serviços de Distribuição, braço atacadista do Sistema Integrado Martins e um dos líderes do segmento no Brasil.

O grupo conta com 5.483 colaboradores, um total de 260 mil clientes ativos e registrou em 2008 um faturamento de R$ 4,1 bilhões, dos quais, R$ 3,7 bilhões foram gerados pela atividade no atacado, que trabalha com uma extensa lista de produtos, como materiais de construção, eletroeletrônicos, alimentícios, higiene e beleza, produtos de limpeza e utensílios domésticos. 

CIO do Sistema Integrado Martins, Flávio Lúcio Borges Martins afirma que quando iniciou suas atividades na empresa, o WMS já estava incorporado à cultura das operações do grupo. Há mais de 20 anos, o Atacado Martins investiu em um sistema proprietário, que foi sofrendo constantes atualizações ao longo do tempo. 

“Só sei como os processos funcionavam antigamente através das histórias que me contam. O pedido chegava, alguém cantava os itens, o apanhador memorizava e saía coletando os produtos pelos corredores, com o auxílio de um mapa de papel. Era um processo extremamente precário, mas que se adequava à realidade do mercado daquela época”.

Com investimentos anuais em tecnologia de R$ 40 milhões, hoje a realidade nos CDs do Atacado Martins é bem diferente, assim como no mercado. O atacado possui três Centrais de Armazenagem em Uberlândia (MG), João Pessoa (PB) e Manaus (AM), com 132 m2 de armazenagem, além de 38 Centros de Distribuição Avançada espalhados pelo país, que oferecem mais de 16 mil itens aos seus clientes, basicamente pequenos e médios varejistas. 

A empresa lida com cerca de 3,5 milhões de pedidos anuais e consegue processar 98% dessas solicitações em até 10 minutos, além de realizar aproximadamente 1,9 milhão de entregas por ano em todas as regiões do país.

Entre outros recursos proporcionados pelo WMS, a operação de separação de pedidos e ressuprimento é realizada com auxílio de modernos equipamentos de rádiofrequência que asseguram maior agilidade, produtividade, custos mais baixos e “erro zero” nas movimentações.

“Consigo saber online, em tempo real, o que está acontecendo no CD, quem está trabalhando, quem está produzindo menos e posso, por exemplo, distribuir igualitariamente a carga das pessoas e fazer com elas andem menos dentro do armazém. O sistema também facilita iniciativas como a realização de inventários, que antigamente demandavam um dia inteiro para serem efetivadas”, conta Martins.

Ele destaca a evolução dessas ferramentas, que já transcenderam funções básicas como o endereçamento, e acredita que o WMS já é fundamental para os atacadistas de qualquer porte, mesmo com a adoção de soluções menos sofisticadas.

“Processos com inteligência zero já não cabem mais no setor. Eu não consigo vislumbrar um atacado, por menor que seja, sem esse tipo de solução, que é bastante flexível para se adaptar a necessidade de cada empresa”. 

A busca por atender novas demandas de negócio foi justamente o fator decisivo para que o atacado Martins decidisse migrar de seus sistema proprietário para o WMS da HighJump Software, com integração da TECSL Soluções Logísticas.

“Nosso sistema ficou antigo e não tinha funções como balanceamento de carga, gerenciamento de múltiplos CDs e monitoramento ativo de recursos. Resolvemos então buscar uma ferramenta no mercado. Hoje, os sistemas novos sugerem padrões e você consegue parametrizar, ensinar algumas coisas de acordo com suas necessidades. Esses recursos mais sofisticados nós não tínhamos na nossa solução”.

O projeto começou a ser implementado em 2007, primeiramente nos CDs de Manaus e João Pessoa, que hoje já operam 100% com o novo programa. Atualmente, a empresa está em fase de migração do sistema em seu maior centro de armazenagem, localizado em Uberlândia, com previsão de conclusão de todo o processo em fevereiro de 2010.

Flávio Martins comemora os resultados conquistados até o momento com a nova solução. “Nós conseguimos aumentar a produção em cerca de 18% com a mesma quantidade de recursos. Você vai otimizando, ganhando produtividade individualmente e nos processos, e quando vê, obteve ganhos nas operações como um todo”, conclui.

Produtividade e gestão de processos

O aumento da produtividade com a utilização do WMS também é ressaltado por Nilton Rodrigues, gerente de TI da CHG, atacadista de acessórios automotivos localizado em Campinas (SP) e que atende lojas de autopeças, concessionárias e autocenters em todo o Brasil.

Há 5 anos, a empresa implementou o ERP Microsiga Protheus, da TOTVS, que contém um módulo WMS. Na época, a empresa trabalhava com cerca de 15 mil clientes e contava com cerca de 30 funcionários para a manutenção do estoque, recebimento, expedição e picking. 

“Hoje, temos as mesmas 30 pessoas, mas conseguimos ampliar o volume da produção. Com o WMS, a administração dos funcionários é facilitada, quem dita a carga de trabalho é o sistema e eu não tenho mais pessoas perambulando pelo depósito, sem fazer nada”, conta Rodrigues.

Ele explica que antes da adoção do sistema, não havia uma padronização nas operações. “A gestão ficava muito a mercê das pessoas. Os funcionários colocavam o produto onde bem entendiam e não seguiam critérios que a gente tinha estabelecido”.

Segundo o executivo, o diferencial do WMS é justamente colocar todas essas regras de operacionalização dentro de um sistema, e não mais na cabeça das pessoas. “O sistema fornece maior inteligência e estabelece critérios como, por exemplo, colocar um óleo lubrificante em uma área fresca, sem permitir que ninguém altere esse padrão”.

Os ganhos em termos de agilidade nas operações também são outro ponto positivo da solução. De acordo com Rodrigues, antes da implementação da ferramenta, a CHG levava quase uma semana para liberar a fábrica. Hoje esse processo é realizado praticamente no mesmo dia, com benefícios adicionais como a redução de perdas a praticamente zero.

Desde a adoção do WMS, a empresa vem investindo em atualizações do sistema para atender novas demandas de negócios. Para Rodrigues, essa é outra vantagem inerente à solução. “Ela é totalmente flexível, não é algo engessado. O sistema se adequa à empresa, e não o contrário”, finaliza.

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