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Publicada em: 29/12/2009 Seção: Serviços - Telecomunicações - |
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A difícil conta da banda larga
Decision Report
A inovação tecnológica demanda cada vez mais sinergia entre a sociedade, governo e empresas. Prova disso são os desafios da banda larga no Pais. O serviço, disponível somente a 16 milhões de usuários, é caro para maioria dos brasileiros. Uma das razões pelo alto custo é a carga tributária, que começa a ser reduzida com os incentivos fiscais estaduais, os quais compõem a maior fatia da cesta de impostos. A iniciativa, entretanto, ainda é isolada no Estado de São Paulo em parceria com a Telefônica. Não há dúvida de que o exemplo será seguido pelos demais governadores até porque a proximidade das eleições contribui para esse movimento. Mas a conta da banda larga não se fecha com incentivos fiscais. Supondo que o preço de R$ 29,80 seja o ideal para a entrada de novos usuários na web, a questão que se coloca é: como e o quê essa nova demanda vai fazer conectada? Não basta dar acesso, é preciso também criar serviços. É neste sentido que o governo ainda precisa assumir seu papel dentro da Sociedade da Informação. “A questão da banda larga não é infraestrutura, mas o que vai ser colocado na rede. O maior provedor de serviços é o governo. Ele precisa criar o “poupa tempo da internet”, levar todos os serviços até ao cidadão, mas isso exige uma mudança de processos administrativos. E detalhe: mais transparência e controle”, ressalta Renato Guerreiro, consultor da Guerreiro Consult. A possibilidade de o cidadão que mora numa favela substituir uma transação presencial com o governo pela internet significa uma economia considerável. Entretanto, apenas 4% dos domicílios onde os moradores usaram o governo eletrônico nos últimos 12 meses localizam-se em uma favela, conforme demonstrou um estudo do Comitê Gestor da Internet. Não Outra distorção do serviço é a oferta. Exemplo? A declaração do imposto de renda continua como o serviço de e-gov mais utilizado no Brasil. Porém é na área da saúde que se destaca a maior demanda de serviços pela população. Empresas Luca Luciani, presidente da TIM, ainda acrescenta que a expectativa do cliente não vai de encontro ao do acionista: “temos um problema porque o cliente quer mais banda e serviços e tudo isso tem custo que precisa ser retornado ao bolso do investidor”. Para fechar essa conta, as operadoras começam a aceitar compartilhar infraestrutura, mas detalhe somente nas áreas consideradas não-estratégicas. A alternativa - conhecida como velho unbundling - ainda não é válida para maioria, mas apenas às operadoras móveis. O caminho mais óbvio de reduzir a rentabilidade não é nem considerado pelas megaempresas. A meta é ganhar cada vez mais nas margens de receita que já estão próximas de 30%. Para isso, as operadoras precisam se reinventar, uma vez que há uma queda histórica da receita dos serviços de voz, considerada a principal fonte de recursos. Mas essa transformação depende também do aval do governo para oferta da TV – outro serviço que terá apelo para a demanda da banda larga. Ou seja, a operadora precisará assumir de novo seu papel de investidor em infraestrutura. Estima-se que o setor de telecomunicações precisará investir R$ 215 bilhões até 2018. Só que desta vez, o cenário outro. Os fornecedores de rede, por exemplo, terão de suprir a eficiência necessária para transportar muitos bits e bytes num espectro limitado. E, detalhe, com qualidade de serviço. Além disso, o backbone volta a ganhar a força diante da expansão da última milha. Não há dúvida de que a indústria assumirá um novo papel para fechar a conta da banda larga, principalmente, de parceria. Há quem acredita que a indústria será crucial para colocar em prática o “unbundling” para banda larga. Mas o que levaria governo, indústria e operadoras seguirem o mesmo caminho diante de tantos conflitos de interesses? Dois eventos mundiais: Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. Além disso, a banda larga traz melhorias no desenvolvimento do Pais. Estima-se que 10% de penetração de banda larga represente um aumento de 1,38% do PIB.
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