Marcos Semola concede entrevista exclusiva para a Decision Report e conta que depois de mais de dez anos atuando na área de Governança e Gestão de Risco e Compliance assume como Business System Manager LA da Shell International, sediado no Brasil. O executivo também é vice-presidente da ISACA RJ, CISM, possui MBA em Tecnologia Aplicada, Professor da FGV com especialização em Negociação e Estratégia pela LSE London School, Engenheiro de Computação e autor de livros sobre Gestão de Riscos da Informação, Governança e Inteligência competitiva.
DR online Como foi a sua trajetória na Shell enquanto diretor da área de Governança e Gestão de Risco e Compliance?
Marcos Semola – A Shell surgiu depois de dirigir a consultoria de risk management por um período de três anos na Atos Origin em Londres. No final de 2007 fui para a Holanda e a minha estada naquele País foi até março de 2009, quando retornei ao Brasil. Na Europa era diretor Global de Governança, Risco e Conformidade para o negócio de Gas and Power da Shell. Era responsável por garantir que todas as joint ventures da organização (mais de 35 em todo o mundo) estivessem em conformidade com as leis locais, internas e regulamentos setoriais. Os assuntos ligados a essa área eram Segurança da Informação, SoX e a terceira atribuição era um composto de controle de exportação e importação, privacidade de dados e segregação de funções, tudo para assegurar a licença de operação do business.
DR Online – Por que interrompeu a carreira enquanto profissional de Gestão de Risco e Compliance?
Marcos Semola - Antes de ir para a Europa acumulava 17 anos de experiência em TI. Trabalhei na Modulo, Schlumberger e Atos Origin para América Latina, baseado no Brasil. Em 2005 fui para Londres pela Atos Origin com a missão de montar uma operação de risk management. No final de 2007, resolvi focar a minha carreira na área de GRC, mais abrangente, normativa e executiva, atuando na Holanda pela Shell. Entretanto, achei oportuno desviar dessa trajetória de 10 anos em risk management, quando surgiu uma grande oportunidade para assumir a posição executiva de IT intitulada BSM (Business System Manager) para a Shell na AL.
DR Online - A área de Business System Manager equivale ao cargo de CIO?
Marcos Semola - Não temos internamente o título de CIO. Esse título existiu até pouco tempo sob a direção do Rodolfo Dantas, que aposentou. Como a companhia se tornou global, o CIO deixou de existir na região e foi ocupado pelo BSM em sua classe de negócio, cuja função é gerenciar as demandas de TI garantindo o alinhamento a estratégia global de IT do grupo, e se posicionando de forma a aconselhar e suportar os negócios da unidade de Downstream (varejo, distribuição, B2B, lubrificantes, manufatura, suprimento, combustíveis renováveis etc), o maior negócio da companhia.
DR Online - Como a sua experiência em GRC ajuda em sua atual posição na Shell?
Marcos Semola - A minha experiência em GRC ajuda porque risk management é um componente importante a qualquer processo de decisão, pode e deve ser usado em toda organização. Dentro de IT isso é mais evidente porque ao suportar o planejamento da área de negócio, o componente de risco tem que ser considerado para que IT viabilize os planos e seja um enabler para o desenvolvimento da organização sem agregar riscos desnecessários. O BSM atua como um guardião de IT e é o ponto de ligação e interface com as áreas de negócio, oferecendo soluções que não só viabilizem os planos, mas também mantenham a corporação em conformidade com as leis, regulamentos, além de apontar as implicações de cada escolha de TI.
DR Online – Qual a missão da TI da Shell?
Marcos Semola – A Shell está padronizando, globalizando e simplicando, buscando eficiência operacional. Tudo isso se traduz em outsourcing e unificação de sistemas. O fato de termos feito o outsorcing global com a AT&T, T-System e EDS é um indicativo que nós estamos buscando a simplificação dos nossos processos e nossas operações, reduzindo custos e como resultado de tudo isso alcançando maiores índices de excelência operacional e competitividade.
DR Online – Quantos são os profissionais de TI sob a sua coordenação?
Marcos Semola – Gerencio as demandas de IT da AL baseado no Brasil, mas a estrutura é enorme, compartilhada e global. Temos um programa global de ERP que está em plena fase de reformulação, já tendo sido implementado mais de uma dúzia de países, e tendo ainda muitos outros por implementar. Trabalho direta ou indiretamente com uma equipe de duas mil pessoas espalhadas pelo mundo que atuam em busca da padronização e simplificação dos processos, o que nos oferece uma plataforma robusta ao mesmo tempo que simplifica a forma com que fazemos negócio.