Se a certificação e identidade digital são soluções no combate a crimes virtuais e se esses mecanismos serão adotados pelas corporações, instituições financeiras e governo são assuntos ainda em discussão pela sociedade. O que todos concordam é que a população precisa ser educada antes de adotar ou massificar essas ferramentas contra os roubos de informações eletrônicas.
“Existem várias instituições que têm usado certificação digital com clientes, principalmente pessoas jurídicas. Entretanto, essa prática dependerá da adoção e aceitação por parte deles”, diz Marcelo Ribeiro Câmara, responsável pela área de segurança digital do Bradesco.
Para Fernando Santos, gerente geral da Check Point para o Brasil, fala-se de identidade digital como se fosse a solução para todos os problemas de segurança quando se trata de crimes digitais. “Há alguns anos digo que a Segurança da Informação depende de educação. Não adianta dar um token se o usuário não souber usar e emprestar para um amigo porque tem dificuldades em entender como aquele dispositivo funciona”, ilustra.
Santos acredita que a grande questão seja: “se hoje existem pessoas sem RG e certidão de nascimento, como o governo unificará todos esses documentos, além de números de contas bancárias e cartão de crédito, por exemplo”.
José Mariano de Araújo Filho, delegado titular da Delegacia de Investigações Criminais, concorda com Fernando Santos quando se trata de educar o cidadão no utilização de meios eletrônicos de pagamento. Entretanto, para ele, o banco, em caso de roubos de dados dos clientes, é o responsável e continuará sendo porque é a instituição financeira que tem toda a infraestrutura de TI usada ao seu favor quando ocorrem fraudes eletrônicas.
“O indivíduo é empurrado para a utilização da tecnologia, mas não é preparado para isso. Hoje, se o correntista não quer enfrentar filas ele utiliza o internet banking, diferente de quem compra produtos na internet, que usa o meio como forma de poupar tempo olhando vitrines ou já tem um bem específico para adquirir, usando a hora do almoço para adquiri-lo”, comenta Mariano.
Apesar de hoje ainda haver pouca cultura de compras online no Brasil, o aumento de conexões banda larga, que encerrou 2008 com 12 milhões contra 13 milhões de consumidores no comércio eletrônico, deverá saltar para 120 milhões em 2018, segundo a Anatel.
“Nos próximos 10 anos podemos saltar de 12 milhões de compradores virtuais para 140 milhões se essa paridade banda larga x consumidores crescer. Isso também significa um crescimento no combate a crimes digitais porque as classes menos instruídas utilizarão mais o e-commerce e se não houver uma cultura quanto ao uso desse meio, também crescerão o número de fraudes eletrônicas”, reflete Gerson Rolim, diretor executivo da Câmara-e.net.