Ivamar Sousa, gerente de soluções da SAP, garante que todo usuário SAP terá suporte independente da customização feita dentro de casa. Essa nova política adotada pela fornecedora, porém, só é válida a partir do uso do SAP Netweaver BPM (Business Process Management) – ferramenta lançada recentemente pela empresa para gestão de processos de negócios.
Sousa explica que o uso do SAP Netweaver não está atrelado à versão da plataforma, mas depende do contrato do usuário. “Todos clientes tendem a aderir ao BPM ainda neste ano porque a possibilidade de transformar o legado em serviços sem perder a garantia do suporte traz muito custo benefício à organização”, opina. É bom lembrar que a SAP tem cerca de 1950 clientes no Brasil.
O executivo é um dos responsáveis da SAP pela área de SOA (Arquitetura Orientada a Serviços) e conta que “esde 2000, a SAP tem trabalhado para transformar seus módulos e aplicativos em componentes e serviços. “O SAP Business Suíte 7 é a versão onde estabilizamos essa funcionalidade de acordo com arquitetura orientada a serviços. Mais de 320 mil transações do processo de gestão de RH, por exemplo, foram combinadas em 2,8 mil serviços ( rotinas ou funcionalidades do processo de RH)”, diz.
Sousa explica que com BPM, o próprio usuário poderá mudar os processos dentro do repositório, recurso disponível na família Netweaver. “As empresas poderão fazer uso desses 2,8 mil serviços (os quais são frutos de todos processos mapeados nas 24 verticais em que a SAP oferece software), além de poder desenvolver a aplicação que ela bem entender dentro do repositório”, explica. É bom lembrar que toda aplicação desenvolvida internamente deve ser registrada como serviço dentro da SAP.
Modelo de negócio
A sensação é de que a solução BPM finaliza o ciclo de desenvolvimento para a SAP se adequar à uma nova filosofia que prega três valores:
eficiência, in-side e flexibilidade.
A busca pela eficiência é o principal objetivo da plataforma ERP, a qual empresa oferece há 35 anos no mercado. O in-side só tornou-se possível com aquisição da BO, que trouxe à companhia a possibilidade de analisar o que acontece dentro de casa e a flexibilidade surge agora com reuso dos componentes (SOA), permitindo inclusive que o usuário crie seus próprios aplicativos, desde que sejam baseados em serviços. E detalhe: permitindo ao mercado a possibilidade de desenvolver os gaps das funcionalidades e oferecê-los como serviços.
Tal possibilidade soa até como uma grande oportunidade aos desenvolvedores especialistas terem acesso à desejada carteira de clientes da SAP. Ou seja, o modelo de oferta de aplicações como serviços permite, então, uma indústria de TI mais diversificada e menos concentrada?
Sousa acredita que essa nova era do desenvolvimento não deve afetar a maneira em que a SAP ganha dinheiro e, consequentemente, não deve mudar o modelo da indústria altamente concentrado. Motivo? “Hoje os grandes players tem mecanismos rápidos de identificar oportunidade para suprir a demanda numa velocidade ainda maior”, explica o executivo. Ele ainda ressalta: “o cliente sempre opta pelo porto seguro”.