Quem seria capaz de prever que a Lei Seca aumentaria o consumo de cerveja, ao fazer os apreciadores de chope mudarem de hábito, passando a comprar a bebida em garrafa para levar para casa? Compreender os impactos que determinada força externa tem sobre os negócios é um dos grandes desafios da indústria. Os efeitos são sistêmicos: influenciam a venda na mesma proporção que afetam a produção.
Graças ao histórico invejável de investimento, a infra-estrutura tecnológica deixou de ser problema para as indústrias de cerveja há cerca de três anos. A otimização dos processos logísticos é, e continuará sendo, o desafio do setor nos próximos anos. A capacidade de prever o futuro não é uma prática simples. Muito menos em um mercado repleto de mecanismos variáveis. Portanto, conseguir antecipar tendências é, antes de tudo, um grande diferencial competitivo.
Na tentativa de conquistar essa capacidade, e gerar ganhos operacionais, a indústria cervejeira local prepara-se para utilizar sistemas analíticos. A busca por tecnologia da informação deixou de ser um suporte de negócios para transformar-se em uma alavanca de crescimento. A consultoria Deloitte projeta que os investimentos em tecnologia da informação de uma empresa de manufatura, em ambiente estável, variem de 0,7 a 3% de seu faturamento. Mas o mercado de cervejas, além de não ser estável, é caracterizado pela alta competitividade.
Se fosse feita uma radiografia dos quatro principais concorrentes domercado nacional – Schincariol, Petrópolis, Femsa e AmBev – o que se veria é uma forte consolidação dos sistemas de gestão (ERP) de classe mundial. O passo seguinte, então, é explorar as funcionalidades analíticas da tecnologia – o que a indústria brasileira de cerveja vem fazendo a passos largos.
Os anseios se direcionam a softwares que possibilitem o desenho de cenários mais prováveis em um ambiente incerto. O momento é de consolidar as informações armazenadas durante anos, somar com pesquisas e movimentos de mercado, jogar em um sistema analítico e tentar prever o futuro. Nesse contexto, os dados ganham novos contornos à medida que são inseridos em softwares com técnicas matemáticas orientadas à abertura de um mundo exploratório e preditivo, montando cenários prováveis.
Sistemas de gestão eficientes permitem que os softwares analíticos garantam maior qualidade no filtro de informações relevantes para simular situações. No momento em que as cervejarias passam a compreender como as características dos clientes regionais ou o preço da bebida podem impactar a performance de determinado produto, é possível otimizar a compra de matérias-primas para a linha de produção ou até mesmo reforçar uma estratégia para atingir determinadas métricas.
Há uma gama de softwares e módulos capazes de conferir maior precisão ao processo. São sistemas de análises e estatísticas, de previsão, de otimização logística e de preço, e sistemas de custo por atividades. "No mercado brasileiro, cada uma dessas tecnologias está aplicada em um fabricante de bebidas diferente", revela Ivan Pezzoli, diretor de vendas da divisão de manufatura do SAS Brasil, salientando que as cervejarias priorizaram um aspecto específico do supply chain no período de consolidação de seu ERP,deixando assim, cenários distintos.
O diretor do SAS vê duas tendências para os sistemas preditivos: previsão por exceção versus o gerenciamento por exceção. Isso significa acompanhar comportamentos mercadológicos que fogem dos padrões normais. Na hora de montar as previsões é preciso saber se os eventos ocorridos até então têm relação com os modelos estudados. “O que era uma verdade há um tempo pode não ser mais hoje em dia”, comenta Pezzoli.
O grande segredo de prever o futuro, ao que parece, reside em saber trabalhar a base de dados a ser inserida na ferramenta. Tal dificuldade é proporcional à organização dos dados nas companhias. Até porque algumas empresas não guardaram suas informações de forma ordenada para combiná-las com as variáveis mercadológicas. Justamente por isso, as pessoas costumam chamar essa fase em que abastecem os softwares analíticos de “mineração de dados”. A analogia é pertinente, uma vez que sob as montanhas de dados residem oportunidades de ouro.
Mais do que softwares analíticos, as cervejarias buscam sistemas e tecnologias integradas, padronizadas e simples. Esses três aspectos facilitam a vida da indústria em sua capilaridade, consolidação e expansão internacional. Atualmente, o Grupo Schincariol trabalha com uma camada de Business Intelligence da SAP e outro da QlikView.
O Fim do Improviso
A constatação final, nesse cenário de alta evolução tecnológica, consolidação e expansão internacional, é que soluções improvisadas ou que resolvem apenas uma parte do projeto não servem mais à indústria de cerveja. Em um mercado que exige alinhamento de processos para garantir ganhos operacionais de nada adianta ter diversas aplicações e nenhuma delas homogêneas. “As informações precisam estar simplificadas”, pontua Paulo Marcelo Lessa Moreira, diretor comercial da CPM Braxis.
Por essa razão, as grandes empresas da indústria de cerveja escolhem o fornecedor de tecnologia como um parceiro estratégico capaz de acompanhar sua evolução, em ambiente interno ou externo, com o mínimo esforço de customização. A consolidação exige padronização e simplificação para otimizar a integração dos negócios, até porque é interessante manter um provedor de serviços de TI que tenha atuação em diversas regiões.
O QUE ELES DIZEM
Ivan Pezzoli , diretor de vendas da divisão de manufatura do SAS Brasil
“Para entender o comportamento de determinado produto em uma região específica é bom ter os dados exploratórios e os sistemas analíticos permitem esses insights”
Paulo Marcelo Lessa Pereira,
diretor comercial da CPM Braxis
“Não se trata apenas do histórico de acontecimentos, mas de buscar tecnologias integradas, padronizadas e simples para beneficiar capilaridade, consolidação e expansão”
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