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3G impulsiona banda larga no Brasil na classe C

Rodrigo Caetano     06/03/2008

Ao contrário dos países europeus e asiáticos, onde a terceira geração da telefonia móvel - que já existe há alguns anos - se concentra nas classes mais altas, no Brasil a banda larga móvel deve se situar na base da pirâmide. A afirmação é de Pedro Ripper, presidente da Cisco do Brasil. Para o executivo, a 3G deve se beneficiar das recentes mudanças no panorama social do País, que viu, nos últimos anos, uma grande migração de pessoas da classe D para a C.

Ripper participou do anúncio dos últimos dados do Barômetro Cisco da Banda Larga, estudo realizado pela IDC, com patrocínio da Cisco, sobre a evolução da banda larga no Brasil. O documento aponta um avanço de 30,5% no número de conexões fixas no ano passado, em comparação a 2006. Foram registradas, no período, 1,74 milhões de novas conexões, que fizeram o País atingir a marca de 7,493 milhões de links.

Pela primeira vez (o estudo é realizado desde o fim de 2005), o Barômetro mensurou o número de conexões de banda larga móvel. Em 2007, foram registradas 602 mil conexões. No último trimestre do ano passado, período em que se intensificaram as ofertas por parte das operadoras móveis, o crescimento desse tipo de acesso foi de 124%.

Segundo Vinicius Caetano, analista de Telecomunicações da consultoria IDC, na maioria dos casos as conexões móveis estão sendo adquiridas em substituição às fixas. Ou seja, o mercado, na realidade, é um só para operadoras fixas e móveis. Mesmo considerando que uma parte dos usuários da mobilidade conta, também, com uma conexão com fio, o que se vê, geralmente, é um “roubo” de clientes das fixas.

O lançamento de serviços de terceira geração pelas operadoras de telefonia celular, no fim do ano passado, fez o preço desse tipo de conexão chegar a patamares praticamente iguais aos das fixas, em alguns casos até menor. Além disso, nas móveis, o usuário tem a facilidade de  não contar com um plano de voz para contratar o serviço, o que favorece principalmente as classes mais baixas. 

Ripper destaca, ainda, que a oferta móvel começa a chegar a municípios onde as fixas não atendem. Além disso, se o grande crescimento do mercado de computadores — hoje o Brasil é o quinto maior mercado mundial, segundo a IDC — favoreceu a adoção da banda larga fixa, o mesmo deve ocorrer com as conexões móveis em relação ao aumento do mercado de notebooks.

As conseqüências desse cenário são favoráveis ao consumidor. Segundo o presidente da Cisco, os preços das conexões, que se mantiveram estáveis no último semestre, devem cair. A velocidade da transmissão de dados, por sua vez, deve aumentar. No ano passado, a faixa de velocidade com maior expansão foi a superior a 1Mbps.

Aumento da meta

O sucesso da oferta de banda larga móvel fez a Cisco rever a meta de conexões para 2010. De 10 milhões, o número subiu para 15 milhões. De acordo com Ripper, a previsão é de um crescimento de 1,5 milhão a 3 milhões nas conexões móveis, o que já levaria o País a um montante de quase 10 milhões. Somando as fixas, o executivo espera atingir a nova marca estipulada.

Porém, nem tudo está fácil  para as operadoras móveis. Existe um grande desafio a ser superado: a voz sobre IP (VoIP). Assim como aconteceu com a telefonia fixa, a telefonia celular pode registrar um declínio do tráfego de voz por conta do uso de softwares como o Skype nos telefones móveis, cada vez mais sofisticados.

Já as operadoras de telefonia fixa devem, além de reduzir os preços para competir, começar uma corrida para a fidelização dos clientes chamados high end, que procuram velocidades superiores a 8 Mbps, o máximo oferecido atualmente.

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