Criador do termo Business Intelligence, o Gartner promove de 5 a 7 de fevereiro, em Amsterdã (Holanda) um seminário para discutir o paradoxo do conceito. Na opinião dos analistas do instituto, os dias de crescimento com dois dígitos do BI estão acabando, mas o fluxo de mercado deve continuar.
O setor de BI, que subiu 12,5% em 2007, deve crescer 8,6% ao ano até 2011. O motivo para essa desaceleração, segundo o Gartner, é a estabilização do fluxo dos fornecedores (leia-se aquisições), que aumenta a maturidade (e a concentração) do mercado e, por conseqüência, o preço dos projetos. "As consolidações comandadas por SAP, Oracle, IBM e Microsoft devem ajudar a acelerar o valor do BI. Esses grandes fornecedores aumentarão o uso do conceito. Mas novos representantes devem surgir com tecnologias e produtos inovadores, a fim de se diferenciarem e preencherem as lacunas deixadas pelo portfólio dos quatro maiores players", afirma Dan Sommer, analista sênior de pesquisas do instituto.
"Recursos de levantamento, relatórios e processamento analítico on-line (Olap) não são mais diferenciais", diz Sommer, uma vez que tais ferramentas básicas já estão embutidas nas soluções oferecidas pela maior parte dos fornecedores. É o caso da Microsoft, que as inseriu tanto no SQL Server (a partir da versão 2005) quanto no Office 2007 e no PerformancePoint Server.
Mesmo com a desmistificação do conceito, o BI continua sendo um desafio para os negócios, por tornar a informação um ativo valioso para a tomada de decisões. Tanto que o Gartner recomenda seu uso de forma mais intensa, afim de torná-lo mais amigável, colaborativo e orientado a processos.
E as "puro-sangue"?
Se o BI já é um conceito incorporado tanto pelas áreas de negócio das empresas quanto pelos fornecedores, o que acontecerá com companhias como a Microstrategy, o SAS e a Information Builders, que nasceram e permanecem focadas em BI e ainda não foram atingidas pela onda de consolidação que engoliu a Cognos, a Hyperion e a Business Objects? A aquisição dessas empresas fez com que dois terços do mercado de inteligência de negócios fossem parar nas mãos das gigantes.
Para o Gartner, essas empresas "puro-sangue" devem recrutar outros vendedores de aplicativos (não a SAP, a Oracle ou a Microsoft, diz) como OEMs de seus sistemas de BI, ou então aprimorar o relacionamento com as revendas de valor agregado (VARs). A consultoria acredita que elas também devam incorporar áreas emergentes do conceito, como dashboards, modelagem preditiva e visualização interativa. Outras opções são a oferta das ferramentas no formato SaaS (software-as-a-service) e a especialização em determinadas indústrias ou regiões, ou então em pequenas ou médias organizações.
Mas o principal, segundo o instituto, é aumentar os investimentos em marketing e outras estratégias que permitam que essas companhias (e outras de menor porte, como a Arcplan e a Qliktech) continuem tendo visibilidade mesmo com o barulho que está sendo feito pelos "quatro fantásticos."
Por fim, uma dica do Gartner aos usuários que adquiriram recentemente sistemas das empresas que foram absorvidas: segurem seus investimentos estratégicos até que SAP, IBM e Oracle divulguem o novo roadmap dos produtos, a fim de evitar a sobreposição de soluções.