A fabricante chinesa de equipamentos e infra-estrutura de telecomunicações ZTE, que atualmente distribui telefones celulares CDMA no País sob a marca Aiko, quer tornar seu nome mais conhecido entre os consumidores brasileiros. Uma das estratégias para alcançar esse objetivo é iniciar a fabricação local de dispositivos 3G, que chegarão ao mercado com sua própria marca.
O parceiro ainda não foi definido, assim como o local da fábrica. A dúvida está entre Manaus e o interior paulista — e, de acordo com Eliandro Avila, recém-nomeado CEO da companhia no Brasil, gira em torno da guerra fiscal. O anúncio deve ser feito em cerca de três semanas.
O que há de decidido, até o momento, é que a produção nacional começará por modems USB e placas PCMCIA para acesso à Internet com a tecnologia de terceira geração. "Já temos três contratos para o fornecimento de modems 3G, para lançamento ainda no primeiro semestre", conta Avila, sem entregar quem são as contratantes. Fazer celulares com essa tecnologia embarcada é o próximo plano, enquanto a ZTE mantém sua parceria com a amazonense Evadin para fabricação de terminais CDMA.
Centro de treinamento
Outro projeto anunciado é a abertura de um Centro de Treinamento Tecnológico no Brasil, o sexto no mundo, que ocupará as antigas instalações da ZTE em Barueri, na Grande São Paulo. Com investimento total de US$ 10 milhões, o espaço abrigará três laboratórios de tecnologia e dez salas de aula para treinamento de clientes (engenheiros das operadoras), parceiros da empresa na área de serviços e os funcionários locais — que, até então, eram enviados para um intensivo na China.
"Acredito que criar uma área de Pesquisa & Desenvolvimento no País seja um caminho natural, mas dependerá do nosso volume de negócios", diz Avila. A ZTE, que é detentora de mais de 9,3 mil patentes e 900 propriedades intelectuais no mercado internacional, informa investir 10% de seu faturamento anual em P&D. A companhia possui mais de 1,4 mil engenheiros e experts trabalhando em seus centros de desenvolvimento, além de 60 executivos lidando diariamente com as licenças e propriedades intelectuais. "Dizem que os chineses copiam tudo, mas esses números mostram que essa afirmação não é verdadeira", brinca o executivo.
Fabricação local
Há cerca de duas semanas, os fabricantes de celulares se reuniram com representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para discutir o Processo Produtivo Básico (PPB) para a fabricação de aparelhos 3G no Brasil, de forma a aumentar os investimentos no País nessa área. O coordenador do assunto no governo é Ivan Ramalho, secretário-executivo do MDIC.