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Internet das coisas movimenta o Agronegócio

Bancos privados e governo aceleram a ampliação da agricultura digital com investimento estimado em R$ 200 milhões para tornar a IoT uma ferramenta para a modernização e globalização da economia agrícola e agropecuária

Por: Redação, ⌚ 11/06/2018 às 16h36 - Atualizado em 11/06/2018 às 16h36

Imagine um cenário rural ligado à internet e funcionando de forma automatizada, onde produtores podem contar com um aplicativo para tomada de decisões mais assertivas na aplicação de fungicidas; onde seja possível acessar, em tempo real, dados sobre as condições climáticas da propriedade a partir de uma estação meteorológica para prevenir a instalação da ferrugem na soja; ou monitorar o ambiente de criação de bovinos para a cultura leiteira por meio de sensores que agregam os dados em uma plataforma de gerenciamento nutricional de animais; até mesmo usar de sensores para captar dados como a umidade das folhas, o pH e a condutibilidade elétrica da água, além da temperatura e da umidade da estufa.

 

Embora pareça algo futurista, isso já é uma realidade atual, viabilizada pelo apoio do BNDES junto com bancos privados a empresas nacionais que estão investindo cerca de R$ 200 milhões em tecnologias de hardware, software e plataformas para a Internet das Coisas (também conhecida pela sigla em inglês IoT) e fazem a conectividade cada vez mais presente nos ambientes rurais .

 

Por meio do programa BNDES IoT, o banco estatal oferece uma linha de crédito de R$ 100 milhões em recursos não reembolsáveis que vai financiar projetos piloto de Internet das Coisas, considerada a próxima fronteira em termos de inovação, pesquisa e desenvolvimento em tecnologias de dispositivos móveis. O agronegócio, por ser um dos setores com maior potencial de desenvolvimento e exploração da tecnologia, será o mais contemplado. A iniciativa vai aproximar produtores rurais, fornecedores de tecnologia e institutos de pesquisa para sanar entraves, como a ausência da conectividade à internet em propriedades rurais.

 

O conceito de Internet das Coisas para o agronegócio baseia-se na evolução tecnológica dos sistemas de informática ligados à internet e busca a interação entre objetos inteligentes, possibilitando a comunicação entre eles. Assim o tempo do produtor será otimizado e o ganho de informações ao seu dispor sobre a lavoura e/ou criação e seus equipamentos aumenta em volume e eficiência.

 

Pensando na aceleração da modernização do agronegócio do Brasil e para buscar inserir e adaptar tecnologias de acordo com a realidade de cada região do país, a Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC) criou um comitê de estudos do IoT no Agronegócio, o comitê de Agricultura Digital, para discutir as vertentes do trabalho agrícola, gargalos, legislações, padrões de interoperabilidade de dados e outros serviços que atendam às necessidades do agro brasileiro.

 

A ideia é reunir empresários para discutir formas de acelerar e baratear o uso e produção dessas tecnologias e ainda fazer o meio de campo entre o mercado e o governo para disseminar nacionalmente os avanços. A iniciativa será inaugurada durante o Agrônomo Digital, maior evento sobre Agricultura Digital do Brasil que acontece no dia 13 de junho, em São Paulo.

 

“Com os diálogos e investimentos necessários, a Internet das Coisas trará eficiência e soluções baratas para os problemas do campo ao aplicar ações simples que resolvem problemas de solo, clima, controle de pragas, pulverização, produtividade e outros”, afirma Flavio Maeda, Presidente da Abinc.

 

O agronegócio tem uma expressiva participação na economia brasileira. Em 2017, o segmento representou, aproximadamente, 21,59% do PIB, deixando o país em uma notável posição mundial na produção agroindustrial. E esta realidade ainda tem um grande potencial de melhoria com o investimento em novas tecnologias, que prometem aumentar a conectividade em áreas rurais e modernizar o trabalho dos produtores.

 

Fomentar inovação

 

Outra questão importante que a implantação da IoT nos ambientes rurais pretende resolver é o problema com a conectividade em áreas mais remotas. Para integrar novas tecnologias àquelas já existentes no campo e utilizá-las para criar soluções rápidas e baratas para o produtor, é preciso solucionar problemas de indisponibilidade de conectividade 3G/4G nos serviços de telefonia móvel, a lentidão da conectividade de internet residencial, a indisponibilidade de banda larga na capacidade desejada, queda de chamadas de voz na telefonia móvel e baixa penetração dos serviços dos provedores nas propriedades rurais.

 

O crescente e proeminente mercado da implantação da IoT no agronegócio fez nascer um segmento de startups voltada para ajudar no fornecimento dessas tecnologias para os produtores. Só em 2016 surgiram 24 AgTechs no Brasil que oferecem tecnologias de suporte a decisões, software de gestão e hardware e equipamentos inteligentes. São Paulo tem 50% de todas elas, sendo que Piracicaba abriga 19%. O Paraná tem 9 startups tecnológicas do setor.

 

Um mapeamento das AgTechs (empresas de tecnologia em agricultura) feito pela Startagro, da Esalq-USP e divulgado no estudo do BNDES e do MCTIC, mostrou que a grande maioria das startups surgiram há cerca de três anos e atendem aos mercados de grãos e cana-de-açúcar. Elas estão concentradas nos estados do Sul e do Sudeste. Ainda segundo o relatório, existem quatro frentes de aplicação do IoT no campo: produtividade e eficiência, gestão de equipamentos, gestão de ativos/animais e produtividade humana.

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