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AWS aumenta distância sobre a Microsoft e Alibaba Cloud ainda não saiu da China

Rafael Marangoni, especialista em Cloud e CEO da BRLink, explica o que mudou no quadrante mágico de Cloud IaaS da Gartner de 2018 para 2019

Por: Redação, ⌚ 01/08/2019 às 17h20 - Atualizado em 01/08/2019 às 17h20

Relatório aponta principal mudança de 2017 para 2018, na qual a Gartner removeu diversos fornecedores do estudo e manteve somente aqueles que foram estudados em 2019. Estes 6 fornecedores são: AWS, Microsoft, Google, IBM, Alibaba e Oracle.

 

Parece curioso (e até preocupante) que só tenhamos globalmente tão poucos fornecedores, mas o fato é que este é um mercado onde a escala é fundamental. É briga de gente grande! Para entrar é fundamental investir muito dinheiro e se consolidar nele depende de tempo, já que existe um aspecto forte de inovação associado.

 

A Gartner deixa claro que a definição de mercado de Cloud IaaS são serviços consumidos sob demanda, em modelo “self-service” (através de API’s sempre expostas ao cliente), com cobrança granular de acordo com o consumo. Envolve muita automação, elasticidade e escalabilidade, tudo isto em tempo real. Para entrar neste estudo, a barra é alta, muito alta!

 

Como a BRLink está no mercado de nuvem pública há mais de 9 anos (desde 2010), compartilhamos a visão da Gartner. De fato, é bem provável que no futuro não tenhamos nem 6 fornecedores de Cloud IaaS destacados no mercado.

 

Outro ponto de comparação importante é que os líderes (presentes no quadrante mágico) continuam os mesmos do ano passado: AWS, Microsoft e Google. O posicionamento aqui mudou bem pouco.O Google, ali no meio do gráfico, continua muito próximo de “escorregar” para outros quadrantes. Normalmente uma empresa considerada visionária, vem evoluindo ano a ano a sua habilidade de execução.

 

Como tem acontecido recentemente, o foco maior vai para os dois líderes: AWS e Microsoft. Embora com algumas diferenças em relação ao ano passado, os dois lideram com sobra. A experiência da BRLink de mercado é convergente com a visão da Gartner. Realmente percebemos que as empresas estão focando nestes 3 fornecedores e os reconhecem como referências no mercado.

 

Os 3 fornecedores de nicho continuam os mesmos

 

Se pouco mudou no quadrante mágico, no de niche-players também houve poucos ajustes. IBM, Alibaba e Oracle continuam figurando entre os fornecedores globais de Cloud IaaS, mas não tiveram mudanças importantes de posicionamento em relação ao ano passado.

 

Cada um deles possuem forças relevantes para os seus nichos que os colocam no relatório, mas numa briga muito diferente, e que não é de liderança. As forças principais de IBM e Oracle são exatamente a sua base de clientes. Uma grande base transacional de clientes aumenta muito a chance de migração de receitas para o modelo de Cloud IaaS. Já o Alibaba Cloud é muito forte no mercado chinês e alguns países da Ásia, e estes é importante mercado global.

 

Embora exista a relevância dos fornecedores de nicho, é natural percebermos que se o mercado se consolidar ainda mais, quem deve deixá-lo é exatamente um fornecedor deste tipo.

 

AWS aumenta a distância sobre a Microsoft

 

Algo inesperado neste ano, ao menos para boa parte do mercado – a distância maior entre a AWS e a Microsoft. O tema surpreendeu porque, nos últimos anos, a Microsoft vinha sempre reduzindo essa distância. Muita gente esperava uma maior aproximação deles no quadrante mágico de Cloud IaaS de 2019.

 

Lendo o relatório do Gartner, percebemos que este distanciamento parece ter se dado muito mais por conta da Microsoft do que da AWS. Os fatos destacados pelo relatório como riscos para a contratação da Microsoft são dolorosos: problemas de disponibilidade na Azure (especialmente Azure AD); baixa qualidade do suporte técnico; uma disparidade importante entre o que a força de vendas da Microsoft está vendendo e a plataforma entregando, do ponto de vista de prazo e de custos. Dá a entender que os projetos duram mais e são mais caros do que apresentados pela força de vendas da Microsoft.

 

Do lado da AWS, os riscos de contratação apontados pelo Gartner são relevantes: embora a empresa publique constantemente que faz reduções de custos frequentes, para serviços importantes, não há uma redução desde 2014; a AWS foca em ser inovadora e lançar os serviços antes dos concorrentes, acontece que muitos deles são com pouquíssimas funcionalidades; com a expansão da Amazon para diversas indústrias, muitos clientes destas verticais que passam a concorrente com a Amazon decidem não utilizar a AWS.

 

Alibaba Cloud ainda não saiu da China

 

o Alibaba Cloud está em terceiro lugar em marketshare global, atrás somente de AWS e Microsoft (e à frente inclusive do Google). Para nós ocidentais isto é uma surpresa, exatamente pelo que o relatório do Gartner diz: Alibaba Cloud ainda não saiu da China.

 

Com 90% de suas receitas vindas deste país, a empresa ainda não conseguiu construir uma oferta de serviços global à altura do que oferece na China. Para complicar um pouco a questão, o relatório do Gartner aponta perdas financeiras crescentes no Alibaba Cloud, o que pode impactar na sua expansão global.

 

Por outro lado, é importante citar que a empresa lidera o marketshare na China, o que é relevante, dado o crescimento anual do país. Além disso, é o principal fornecedor para o governo chinês, que sabemos, deverá manter a “preferência” em empresas nacionais por questões ideológicas.

 

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