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Qual nível de maturidade do blockchain no Brasil?

Com Grupo de Trabalho montado desde o ano passado para entender a aplicabilidade dessa tecnologia no sistema financeiro, FEBRABAN destaca que ainda temos um grande caminho a percorrer, mas bancos já estão trabalhando para viabilizar essa plataforma até o primeiro semestre de 2018

Por: Léia Machado, ⌚ 07/06/2017 às 16h14 - Atualizado em 07/06/2017 às 16h14

O blockchain é o novo membro das tendências tecnológicas e já está causando muitas discussões entre as instituições financeiras. Devido ao seu poder de disrupção e expectativa de redução de custos em US$ 10 bilhões, bancos e instituições financeiras estão se mobilizando para encontrar o melhor modelo de implementação dessa tecnologia. Tanto que a FEBRABAN está organizando um Grupo de Trabalho (GT) para entender as aplicações do blockchain nos negócios.

 

Segundo Adilson Fernandes da Conceição, coordenador do GT da FEBRABAN, as empresas brasileiras estão promovendo diversas provas de conceito e a expectativa é que até o segundo semestre de 2018, o mercado financeiro já tenha experimentações para mostrar aos consumidores.

 

“Outras nações estão mais avançadas se compararmos com o Brasil, principalmente no ambiente de produção, mas estamos caminhando para isso”, pontua o executivo durante painel de debates no Ciab 2017, que acontece essa semana, em São Paulo. Para ele, a FEBRABAN teve uma grande sacada ao fomentar entre os bancos a criação desse ambiente colaborativo para entender como o blockchain pode ser aplicado.

 

O GT está se reunindo desde o ano passado e passou por quatro ondas. A primeira foi um momento de nivelamento de conhecimento das instituições envolvidas e do grau de maturidade sobre blockchain; na segunda foram abordados cases internacionais e estudos dessas aplicações; na terceira onda foram promovidas provas de conceito; e a quarta onda está acontecendo neste momento em que o Grupo de Trabalho vem atuando para idealizar um produto piloto para o mercado.

 

“Esse processo foi fundamental para criarmos um ambiente colaborativo”, diz o executivo. “Não tem como falarmos de blockchain sem destacar a redução de fraudes e aumento da segurança” completa Ricardo Polisel Alves, gerente Sênior da Prática de IT Strategy da Accenture.

 

Provas de conceito

 

De fato, a própria evolução da tecnologia permitiu um aprofundamento da confiança das empresas para aplicar o blockchain nos negócios. Rastreabilidade de informações, imutabilidade de dados e segurança avançada são os pilares mais estratégicos para a aplicabilidade no setor financeiro.

 

No Itaú Unibanco, foi criado um centro de excelência em blockcain que tem como objetivo trabalhar de forma profunda o uso e impactos dessa tecnologia nos negócios. “Criamos quatro grupos de trabalho composto por alianças estratégicas, desenvolvimento de pessoas, educação com workshops e palestras, além de monitoramento das plataformas que mais se enquadram no blockchain”, explica Igor Freitas, Superintendente de Arquitetura Enterprise do Itaú Unibanco.

 

Segundo ele, a instituição está trabalhando em várias provas de conceito, mas, no geral, o mercado financeiro ainda tem alguns desafios para superar. Dentre esses gargalos, Freitas destaca o tamanho do banco de dados; escalabilidade; confidencialidade de dados; consenso da plataforma a ser utilizada; identificação do cliente com privacidade; consultas rápidas; e governança.

 

“Nossos estudos estão fundamentados e focados nessa tecnologia, pois as instituições enxergaram no blockchain uma grande oportunidade de fazer negócios disruptivos. Não vemos como uma ameaça, mas uma plataforma inovadora e vale lembrar que o mercado financeiro no Brasil é pioneiro em inovação”, conclui Adilson Fernandes da Conceição.

 

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