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O que varejistas brasileiros aprenderam com os norte-americanos?

Durante a NRF 2018, que aconteceu no começo do ano em Nova York, a delegação brasileira do grupo BTR-Varese participou de palestras, da feira tecnológica e tirou os principais insights para aplicar nos negócios locais

Por: Léia Machado, ⌚ 15/02/2018 às 10h27 - Atualizado em 15/02/2018 às 10h34

A delegação brasileira do grupo BTR-Varese, dos sócios Eduardo Terra e Alberto Serrentino, viajou para Nova York para participar do maior evento de Varejo do mundo, a NRF. Foram diversas palestras, workshops, discussões e visitas técnicas que inspiraram inovação e diferentes formas de renovar os negócios no Brasil.

 

Dos oito insights que a feira proporcionou para os brasileiros, o que ficou claro é que não dá para ficar parado, pois existe muita oportunidade para uma reinvenção do Varejo no Brasil. Muitos já começaram essa transformação pautada no digital e outros estão começando nessa jornada, seja remodelando a frente de caixa ou investindo pesado no backoffice.

 

Tecnologia aplicada

 

Já a Via Varejo está vivendo uma mudança do business. Há 15 meses a companhia desenhou a estratégia para atuar de forma plena no multicanal, inserida em tecnologias disruptivas e análise de dados dos clientes. O projeto Via Única conta com tecnologia de big data e analytics para gerar informações importantes como hábitos dos consumidores. “Fazemos de tudo para gerar experiência e engajamento”, explica Flávio Dias, diretor executivo de BU online, Tecnologia e Marketing da Via Varejo.

 

Segundo ele, a empresa implementou inteligência artificial via chatbot, em parceria com o Watson, da IBM, no comércio eletrônico, além de aplicação de realidade virtual em algumas lojas físicas e realidade aumentada no aplicativo móvel. “Estamos evoluindo nosso novo modelo de negócio a fim de viabilizar todos esses projetos. Em três anos, vamos deixar de ser uma loja tradicional para virar uma plataforma única no varejo. Nosso desafio é transformar o ecossistema e ampliar a expertise operacional, estamos no caminho certo!”, enfatiza o diretor.

 

Aterrissar em novas regiões

 

No que diz respeito à globalização do varejo, Jae Ho Lee, fundador do Grupo Ornatus, acredita que o brasileiro tem mais dificuldade de operar em outros países devido à falta de cultura nesse processo. Além disso, o amplo mercado interno e a dificuldade de acertar o time de estações do hemisfério norte são outros fatores desafiadores.

 

“Mas a tendência do varejo crossborder traz uma boa oportunidade para quebrarmos essas barreiras e iniciar um processo de internacionalização da marca. Os marketplaces são boas soluções para quem deseja assumir esse risco sem prejudicar o negócio”, pontua Lee e acrescenta que os millennials têm mais facilidade para fazer isso, pois já está acostumados com processos sem atritos.

 

Inovação de dentro pra fora

 

No quesito de pagamentos móveis e criptomoedas, o diretor Comercial da Lojas Renner, Fabio Faccio, acredita que o varejo vive hoje uma grande transformação nas transações financeiras. “É importante que a gente olhe para isso de forma mais estratégica, pois é fato de que benefícios como produtividade da equipe e experiência sem atrito estão garantidos”, completa o diretor.

 

O grupo mineiro Super Nosso, que atua em diversas frentes de negócio e canais físicos e online, enxerga na tendência bespoke retail uma forma de aprimorar o relacionamento com o cliente. “Nosso aplicativo de vendas pelo celular registrou alta de 10% no total das vendas. Esse canal é integrado ao nosso CRM e teve grande aderência dos consumidores”, destaca o CEO do grupo, Euler Nejm. Segundo ele, as tendências vistas na NRF podem ser aplicadas no Brasil desde que haja uma transformação nos processos e na cultura empresarial.

 

Para Ubirajara Pasquotto, CEO da Cybelar, o comércio no Brasil passa por essa revolução no negócio, porém, precisa aprender com o varejo norte-americano a obsessão pela simplicidade. “É isso que nos motiva a repensar o negócio”, completa.

 

O mais forte sobrevive?

 

E tudo isso só é possível se o Varejo contar com a liderança certa, que na maioria dos casos, vem do próprio presidente. Na Óticas Carol, por exemplo, Ronaldo Pereira Júnior, o CEO da varejista, é um inconformado que não gosta de seguir a lógica das coisas. Segundo ele, a empresa está sempre seguindo as tendências tecnológica e ele é o responsável pela liderança das inovações focadas no marketing e nas experiências do consumidor.

 

Para isso, a Óticas Carol introduziu na cultura corporativa essa nova mentalidade de mudança, deixando esse projeto no centro da organização. Iniciativa que envolveu redesenho da estrutura com apoio de tecnologias como cloud computing – em parceria com a Microsoft – big data, BI e CRM, além da inovação de projetos para diretora de marketing.

 

“Estamos na fase de aprendizagem. Não podemos ficar parados esperando as coisas chegarem em nós, não é o mais forte que sobrevive, mas o melhor que se adapta às mudanças”, finaliza Ronaldo Pereira Júnior.

 

 

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