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O que esperar da Tecnologia da Informação em 2018?

Blockchain, interações homem-máquina, internet das coisas, inteligência artificial, entre outras tendências, são forças internas e externas que mudarão a jornada da TI, avanços tecnológicos com impacto profundo para indivíduos, sociedades e negócios de todos os tipos

Por: Redação, ⌚ 28/02/2018 às 08h10 - Atualizado em 01/03/2018 às 17h03

A transformação digital foi um tema amplamente discutido em 2017 e essa cultura segue como premissa nos negócios em 2018. Especialistas enxergam um movimento mais concreto da evolução tecnológica nesse ano, até porque  mundo inteiro vive uma onda de mudança sem precedentes nesse universo. A impressão é que estamos diante de uma ficção cinematográfica que se torna realidade em nossas vidas, seja com inteligência artificial, realidade virtual, machine learning ou drones sobrevoando nossas cabeças.

 

Segundo o Gartner, os investimentos globais em tecnologia devem atingir US$ 3,7 trilhões em 2018, um crescimento de 4,3% se comparado aos US$ 3,5 trilhões estimados para 2017. Outro estudo feito pelo site norte-americano Business Insider aponta que até 2020 haverá mais de 24 bilhões de aparelhos conectados à internet, são quatro para cada habitante do planeta!

 

E todo avanço tecnológico tem impacto direto nos negócios, na atuação da TI para conduzir a empresa para o caminho da inovação, além da nova forma de comunicação entre organizações, governos e pessoas. Essa era de inovação e parceria homem-máquina leva os negócios para o próximo nível.

 

Veremos as tecnologias ganharem força contribuindo para a criação de novas profissões e para o desenvolvimento da sociedade. Inclusive, o papel dos líderes terá um apelo maior para democratização do uso da tecnologia, os CEOs deverão tomar medidas para conduzir as forças de trabalho a fim de capacitar os colaboradores a trabalharem de forma mais inteligente.

 

Já o CIO terá seu campo de trabalho ampliado sendo responsável por dirigir iniciativas de transformação digital, fortalecendo os ecossistemas, repensando habilidades existentes para deixar o cliente no foco do negócio, além de contar com apoio de novas tecnologias que elevem a experiência imersiva, que conectem todas as coisas e que sejam inteligentes, disruptivas, inovadoras e seguras.

 

Nesse contexto, podemos elencar as principais tendências que ganharam força em 2017 e continuarão guiando a transformação digital dentro das organizações. Algumas estão em estágios de implementação, outras mais consolidadas e algumas apenas começando. Mas cada tendência tem impacto significativo sobre como a TI se posiciona, opera e inova em suas organizações.

 

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

 

Ao longo dos próximos anos, praticamente todos os aplicativos e serviços incorporarão algum nível de Inteligência Artificial. Segundo estudo da Accenture, se as organizações investirem em IA e na colaboração entre homens e máquinas no mesmo ritmo das empresas de alto desempenho, os lucros poderão crescer 38% até 2022 e os níveis da empresa podem atingir avanços de 10%.

 

Na visão da IDC, a computação cognitiva vai crescer muito nos próximos anos no Brasil, acima de 50% em 2018 se comparado com o ano anterior. Entretanto, os investimentos são discretos, a tendência é que outras verticais – além de Finanças e Saúde – invistam no uso da inteligência artificial para atendimento e engajamento de clientes, funcionalidades que têm sido exploradas e representam os casos mais emblemáticos atualmente no Brasil, como sistemas de diagnóstico e tratamento e análises de fraudes e investigação.

 

O uso de assistentes pessoais está em ascensão e oferece uma interação eficiente e informativa com o consumidor. Dados da empresa global de serviços financeiros, Morgan Stanley, aponta que mais de 11 milhões de indivíduos já contam com o auxílio dessa tecnologia.

 

No campo dos chatbots, com uso de robôs aplicados em softwares que interagem com consumidores, já existem cerca de 8 mil bots no Brasil, criados por 60 empresas de softwares. Esses chatbots trafegam 500 milhões de mensagem por mês, segundo levantamento da Mobile Time.

 

Essa tecnologia tem o poder de mudar a forma como as pessoas trabalham com os dados, aproveitando recursos de raciocínio orientados por dados e reduzindo o tempo de produção de cada inovação. Mesmo com o mito de que a AI tende a substituir empregos, essas novas tecnologias podem, na verdade, criar novas posições, desencadeando diferentes oportunidades, com variados perfis de profissionais.

 

INTERNET DAS COISAS – IoT

 

O potencial da tecnologia é enorme e ela vem passando por um rápido estágio de amadurecimento, pois promete conectar dezenas de aparelhos à internet e integrá-los na rede, transformando as cidades em smart cities. Os gastos globais com IoT apresentam uma taxa de crescimento anual de 15,6% desde 2015. Se mantido esse percentual, o volume atingirá US$ 1,29 trilhão até 2020.

 

Segundo o IDC Predictions Brasil 2018, projetos de IoT terão força em diversos setores com um mercado local superior a US$ 8 bilhões. A previsão tem como base iniciativas alavancadas pelo Plano Nacional de Internet das Coisas (MCTIC e BNDES) nas áreas da Saúde, Indústria, Agricultura e Infraestrutura Urbana, em projetos que integrarão outras tecnologias como Blockchain e Inteligência Artificial.

 

No mercado doméstico, a previsão da IDC Brasil é que as aplicações de IoT avancem mais rapidamente. Estima-se que 4% das residências brasileiras já possuam algum tipo de dispositivo conectado, como controles de câmeras de segurança, temperatura e ar condicionado, por exemplo. Para esse ano, o mercado doméstico de IoT no Brasil será responsável por US$ 612 milhões.

 

Ter coisas conectadas a todo momento é interessante tanto para as empresas quanto para os consumidores. No entanto, mais essencial ainda é saber como essas coisas conectadas estão se comportando e se a tecnologia está, de fato, cumprindo o seu papel.

 

Dentro da arquitetura escalonada da internet, existem aplicações em rede, em clouds privadas ou públicas, que analisam dados, medem a qualidade do serviço, identificam a plataforma de acesso e o nível de energia utilizado, entre outras milhares de informações passíveis de serem coletadas por meio de sensores online.

 

ANALYTICS

 

O universo digital está crescendo cerca de 40% ao ano. As estimativas da IDC apontam que podemos atingir 44 bilhões de gigabytes até 2020 – número 10 vezes maior que o de 2013. O que possibilitou esse aumento significativo de tráfego digital foi justamente a informação: 39% das organizações tomam decisões estratégicas e orientadas por uma análise de dados, destaca a pesquisa da Big Decisions, conduzida globalmente pela PwC.

 

Empresas têm conseguido melhorar a eficiência de custos, confiabilidade de sistemas, qualidade de produto e níveis de serviço, além de criar novos fluxos de receita e modelos de negócios graças ao apoio do Analytics.

 

Para a IDC, houve um amadurecimento sobre o que é Big Data/Analytics no Brasil e agora as empresas brasileiras têm um propósito de adoção, buscando extrair algum valor dessas tecnologias. Além disso, as iniciativas de Analytics vêm sempre a reboque de alguma outra iniciativa e acaba movimentando todo um negócio.

 

Diante disso, as expectativas para o Brasil são otimistas: em 2018, os serviços de consultoria relacionados a Big Data/Analytics vão crescer cerca de 18% em relação a 2017 e os gastos totais, incluindo infraestrutura, software e serviços vão atingir US$ 3,2 bilhões no país.

 

Com a Internet das Coisas surge também a Informação de Todas as Coisas (em inglês, Information of Everything). O objetivo é classificar e dar significado a inúmeras informações, além de desenvolver máquinas capazes de aprender a interpretar os dados sozinhas para que as empresas adquiram vantagem competitiva.

 

Na era do Big Data e das técnicas sofisticadas de Analytics – como análises preditivas –, grande parte das organizações já reconhecem que, para ter um valor competitivo, é preciso ter velocidade e sofisticação no tratamento das informações.

 

Na visão do Gartner, as tecnologias de inteligência analítica estão entre as prioridades de investimentos dos CIOs, o que permitirá que organizações adotem uma abordagem mais integral, com arquiteturas completas de gerenciamento de dados e da empresa como um todo.

 

SEGURANÇA CIBERNÉTICA

 

A cada ano, a quantidade de dados que está sendo produzida aumenta significativamente. Além disso, a interação entre pessoas e máquinas em um mundo altamente conectado faz com que os desafios de Segurança Cibernética também cresçam exponencialmente. 2018 será um ano em que as empresas priorizarão a implementação de tecnologias efetivas para a proteção de dados.

 

Estima-se que o crime cibernético provocará cerca de US$ 6 trilhões em prejuízo financeiro às empresas até 2021. O número é tão elevado que se o cibercrime fosse representado por um país, ele seria a terceira maior economia do mundo.

 

No Brasil, o valor investido na área deve somar US$ 360 milhões já no primeiro semestre, com destaque para projetos de gestão de identidade e acesso (Identity and Access Management, IAM) e correlação de eventos (Security Information and Event Management, SIEM).

 

Líderes em segurança e gerenciamento de risco devem adotar uma forma de avaliação contínua de risco adaptativo e de confiança (Continuous Adaptive Risk and Trust Assesment, CARTA) que permita tomar decisões em tempo real de acordo com o risco apresentado e criar infraestrutura de segurança adaptável.

 

Para 2018, gestores de Segurança precisarão focar mais suas estratégias de defesa especialmente para dois tipos de ataques. O primeiro é o de Negação de Serviço (Distributed Denial of Service), que cresce significativamente no País e torna o Brasil um dos lugares mais visados ultimamente.

 

Já o ransomware – que criptografa os dados críticos e pede resgaste por eles – terá como alvo organizações específicas e seu foco vai além do impacto financeiro provocando principalmente a interrupção dos negócios.

 

Ambos os ataques exigirão das empresas mais investimentos tanto em sistemas de detecção de ameaças como planos de resposta a incidentes e gerenciamento de crise, além de políticas de segurança mais focadas em gestão de patches e conscientização contra o phishing, maiores causas de infecção nos dias de hoje.

 

Outro ponto importante é a lei de proteção de dados na Europa, que trará impactos positivos nos negócios em todo o mundo. O GDPR (Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia) está previsto para 25 de maio de 2018 e praticamente todas as empresas terão que obedecer aos seus requisitos na UE.

 

O efeito ultrapassa os limites territoriais da Europa e impacta também empresas brasileiras. Todas as organizações que oferecem serviços ou mercadorias para a Europa também devem estar em compliance com o GDPR. O mesmo acontece com as companhias que estão monitorando o comportamento de um cliente na União Europeia. Isso inclui, por exemplo, rastreamento de um indivíduo online para criar um perfil ou mesmo para determinar e prever as preferências do cliente.

 

Empresas que implementarem processos, recursos e tecnologias para estar em conformidade com a nova regulamentação se beneficiará através do incremento de maturidade na gestão de segurança, não só baseada em mecanismos tecnológicos, mas de fato na proteção de informações.

 

As penalidades por falta de conformidade são altas: até € 20 milhões, ou 4% da receita real global. As empresas que não estão protegendo dados privados podem estar prestes a fracassar. Já aquelas que estão em compliance com o GDPR podem se concentrar nas áreas que precisam para obter sucesso, sem terem que se preocupar com o impacto financeiro e, mais importante, garantir a seus clientes que seus dados privados estejam seguros.

 

REALIDADE AUMENTADA (RA) e REALIDADE VIRTUAL (RV) 

 

Tecnologias que fazem muito sucesso na indústria de games, as aplicações de realidades virtual e aumentada se tornarão um verdadeiro mainstream inseridas no mundo dos negócios, principalmente em verticais de Saúde, Varejo, Indústria e Educação. Essa tecnologia é capaz de redimensionar a força de trabalho oferecendo experiências cada vez mais imersivas.

 

Este mercado é jovem, o que demonstra muito potencial de aplicação, pois muda a maneira como as pessoas percebem e interagem com o mundo digital. Ainda é um setor modesto e fragmentado, mas deve movimentar US$ 108 bilhões até 2021, de acordo com o site de tecnologia TechCrunch.

 

Essa tendência aplicada ao negócio fará mais sentido para gestão do conhecimento, pois apresentações embutidas em RV transmitirão informações de maneira envolvente. Já a RA tornará a aprendizagem mais simples e realista para a força de trabalho. Com essas tecnologias será possível visualizar projetos de uma forma inédita, alcançando um novo nível na prototipagem.

 

No setor de Indústria, por exemplo, equipes de trabalhadores da construção civil, arquitetos e engenheiros usam equipamentos de RA para visualizar novas construções e coordenador trabalhos em campo.

 

No varejo de moda, por exemplo, essa aplicação permite ao consumidor obter informações adicionais de um produto ou combinar looks com o que ele já tenha em casa. Na educação à distância, estudar o corpo humano como se ele estivesse na sua frente será um grande avanço para estudantes e professores. Até mesmo um passeio no museu pode ser mais rico e interessante com informações adicionais sobre uma determinada obra usando apenas o celular.

 

BLOCKCHAIN

 

A tecnologia por trás do bitcoin deu o que falar em 2017 e tem tudo para ser uma das protagonistas em 2018. Há muitas empresas de diferentes verticais de negócio que estão testando o blockchain, mesmo que seja de maneira mais teórica. O avanço dessa tendência é forte não só na tecnologia em si, mas nas soluções que podem ser desenvolvidas em torno dela.

 

O blockchain está evoluindo dia após dia para ser mais um item da transformação digital, pois oferece uma saída radical aos atuais mecanismos centralizados de transação e manutenção de registros. Além disso, a tecnologia pode servir como base de negócios digitais disruptivos para empresas estabelecidas e também para o universo das startups.

 

O sistema financeiro vem protagonizando o uso do blockchain, até porque ele surgiu junto com os bitcoins, mas esse recurso deve fazer a diferença também em demandas como a identidade digital, garantindo a segurança da informação e autenticidade.

 

DRONES

 

Um drone com software integrado pode otimizar a força de trabalho e melhorar a produtividade no negócio. É uma tecnologia de baixo custo e tende a realizar diversas tarefas, seja para auxiliar na manutenção e atividades de segurança na indústria ou para monitorar imensas plantações no agronegócio, ou até mesmo entregar uma mercadoria comprada no comércio eletrônico.

 

Em um relatório divulgado pela consultoria PwC, os drones para finalidades comerciais poderão movimentar mais de US$ 127 bilhões até 2020. Diversas verticais de negócio irão se beneficiar desses dispositivos como os setores de infraestrutura, agrícola, entretenimento, seguros, transportes e telecomunicações.

 

Uma vez que a ANAC aprovou as regras de uso de drones para uso comercial no Brasil, em maio de 2017, as possibilidades são infinitas. O Regulamento Brasileiro de Aviação Civil Especial da ANAC é complementar às normas de operação de drones estabelecidas pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e pela Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). Aqui, a tecnologia é usada atualmente pela imprensa, pelas produtoras de fotos e vídeos comerciais e no agronegócio.

 

A Duratex, por exemplo, usa drones para o monitoramento de suas florestas de Eucalipto e Pinus. A tecnologia já está presente em todas as unidades florestais da empresa, localizadas nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A Amazon também está prestes a oferecer o serviço Prime Air, sistema de delivery que entrega mercadorias em até 30 minutos usando drones.

 

O FUTURO ESTÁ AQUI

 

Com tanta novidade disponível para ser testada e aplicada no negócio, o ideal é que as organizações entendam suas demandas e apostem em tecnologias que podem funcionar e ser relevantes para cada empresa. Hoje, é necessário ser criativo na abertura de novos fluxos de receita e atender os clientes por meio do digital first, ou seja, atingir o maior número de pessoas primeiramente no ambiente digital para depois amplificar as ações nos meios físicos.

 

Cada empresa fará a sua própria jornada para avançar no processo de transformação digital. Mas um princípio que deve conduzir todas as mudanças é saber como a experiência do cliente, seja na compra de um produto ou no uso de um serviço, poderá ser transformada.

 

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