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Mobile banking cresce na preferência dos brasileiro

Pesquisa da FEBRABAN mostra que está havendo uma migração para esse canal pela facilidade de uso e investimentos em melhorias dos serviços. O aumento de transações pelo celular cresceu 24% em 2018, foram 2,5 milhões em 2018 ante 1,6 milhão no ano anterior

Por: Paula Zaidan, ⌚ 08/05/2019 às 19h19 - Atualizado em 13/05/2019 às 18h24

Em 2018 houve um crescimento de 3% para a tecnologia da informação dos bancos, o que soma quase R$ 20 milhões, incluindo despesas e investimentos. Desse montante, R$ 10 milhões foram destinados à software e serviços, incluindo as novas tecnologias de IoT, inteligência artificial, robotização, cloud, entre outras. Os números são resultado da 27ª edição da Pesquisa de Tecnologia Bancária 2019 da FEBRABAN, divulgada nesta terça-feira, 07/05, em São Paulo.

 

O estudo, desenvolvido esse ano em parceria com a Deloitte, contemplou um levantamento com 20 bancos, mas apenas 10 instituições financeiras do mercado tradicional participaram, o que significa que nessa amostragem não foram incluídas as fintechs. Ao lado do governo, o setor financeiro continua sendo o que mais investe em TI no País, ao contrário dos Estados Unidos, onde o governo aparece em primeiro lugar no ranking.

 

Em 2018, 2,5 bilhões de pagamentos de contas e transferências, incluindo DOC e TED, foram realizados por meio do mobile banking, que, pela primeira vez, superou o internet banking na preferência do brasileiro nessas operações. Hoje, de cada 10 transações, com ou sem movimentação financeira, 6 são feitas por meios digitais – celular ou computador.

 

Esse movimento é reflexo da praticidade de uso, da segurança e da conveniência oferecidas pelo canal, que foi responsável por 40% do total de operações bancárias efetuadas no ano passado – levando-se em conta as transações feitas em agências, via internet banking, autoatendimento, pontos de venda no comércio, correspondentes no país e pelo telefone. Para efeito de comparação, em 2014 o mobile banking respondia por apenas 10% das operações.

 

O número de transações bancárias feitas pelo celular em 2018 cresceu 24% em relação ao ano anterior e os aplicativos dos bancos tornaram-se o canal preferido dos brasileiros para fazer pagamento de contas, transferências de dinheiro e outras transações financeiras. O aumento na quantidade de transações com movimentações financeiras por celular chegou a quase 80% no ano passado.

 

De acordo com o estudo, o número de transações bancárias com movimentações financeiras cresceu cerca de 33%. O avanço de 80% na quantidade de transações com movimentações financeiras por celular foi puxado, principalmente, pelo crescimento número de contas pagar por esse canal (que chegou a 1,6 bilhão, em 2018) e de 119% na quantidade de DOCs, TED e outras transferências de quantias em contas bancárias (862 milhões).O brasileiro também contratou mais crédito pelo celular: foram 359 milhões de contratações em 2018, com aumento de 60% em relação ao ano anterior.

 

Para o diretor setorial de Tecnologia e Automação Bancária da FEBRABAN, Gustavo Fosse, a opção pelo mobile ajudou a manter a tendência de alta no total de transações bancárias em todos os canais, que saltaram de 71,8 bilhões em 2017 para 78,9 bilhões, no ano passado. “A facilidade em poder resolver questões financeiras apenas utilizando o celular é um ponto-chave desse crescimento”, afirma. Ele acrescenta que o incremento de transações com movimentação financeira por mobile banking atesta que o cliente se sente cada vez mais seguro para movimentar seu dinheiro por esse canal.

 

Apesar de mobilidade ter sido cada vez mais a realidade do comportamento dos clientes, não houve um aumento no número de contas correntes ativas, 155 milhões em 2017 e o número segue o mesmo em 2018. Pelo contrário, se manteve. Fosse explica que o banco central usa o CPF para contabilizar o número. No entanto, não é possível saber quem está ou não ativo. Nesse sentido, pode ser que não houve aumento na bancarização nas instituições tradicionais e possa haver uma migração de usuários para as fintechs, com abertura de novas contas que vão desde pessoas que nunca tiveram uma conta corrente até clientes dos bancos tradicionais. “Os bancos ainda oferecem operações mais aprofundadas”, defende Fosse.

 

Quando perguntados sobre os investimentos prioritários previstos para os próximos anos, os bancos revelam que o setor tende a usar cada vez mais a inteligência de dados em suas operações: 80% dizem planejar investimentos em big data/analytics; e 73% investirão em inteligência artificial e computação cognitiva. O setor bancário é, junto com o governo, o que mais investe em tecnologia no Brasil.

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