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Maturidade do blockchain depende de desvinculação da criptomoeda

Tecnologia vive o momento de prova de valor para diversos segmentos de negócio. Entre os players de TI, o cenário é de expansão de conceito com ofertas de redes privadas, para que companhias criem sua própria blockchain convidando parceiros e clientes a participar dela, formando uma rede de confiança entre si

Por: Léia Machado, ⌚ 21/11/2017 às 14h30 - Atualizado em 21/11/2017 às 14h30

O Brasil é um país de dimensões continentais com enormes desafios relacionados a logística, transparência, rastreio de itens e produtos. E essas são demandas em que a tecnologia de blockchain se encaixa perfeitamente. Imagine, por exemplo, se o governo registrasse seus dados nesse sistema, seria possível auditar tudo em tempo real e perceber inconsistências muito rapidamente. Ou se integrarmos a imutabilidade dessa rede a objetos inteligentes ao longo de uma cadeia de produção de alimentos, seria possível rastrear e garantir a procedência de carnes e legumes com facilidade.

 

Esses são apenas alguns exemplos listados pelo co-fundador da Smartchains, Fulvio Xavier, durante um bate papo com a Decision Report. Segundo ele, as possibilidades do blockchain no mercado brasileiro são gigantes e a companhia deseja fazer parte dessa transformação. “O maior desafio é a maturidade de adoção. Ainda há uma ligação muito forte da palavra Blockchain com as Criptomoedas, é necessário expandir o conceito. Esse é o primeiro passo”, destaca o executivo.

 

E esse processo de maturidade está avançando rapidamente no País, existem algumas aplicações reais de blockchain e isso demonstra que as empresas já podem destacar as vantagens dessa tecnologia se adaptando aos negócios. “Quando explicamos a tecnologia e suas possibilidades, os próprios executivos das empresas se interessam e começam a enxergar usos e aplicações para solucionar suas dores e problemas internos.

 

Estratégia

 

É por isso que a Smartchains está empenhada em evangelizar o Brasil. A companhia trabalha com redes privadas de blockchain, as chamadas Redes Permissionadas, cujo foco é criar redes e aplicações que impactem positivamente as cadeias de valor e ecossistemas de negócio. Nelas, as companhias criam sua própria blockchain convidando parceiros e clientes a participar dela, formando uma rede de confiança entre si.

 

“Nosso objetivo nos próximos 12 meses é liderar o movimento da tecnologia permissionada baseada na plataforma Hyperledger no Brasil. Desenvolvemos um framework com metodologia e ferramentas ágeis para a prestação de serviços de consultoria e criação de plataformas seguras e confiáveis”, explica Xavier.

 

Agronegócio, Supply Chain, Mídia, Fraude e Segurança foram segmentos escolhidos como foco por serem áreas com uma necessidade em comum: rastrear ou acompanhar ativos e dados com precisão, sem desconfianças ou abertura para golpes. No entanto, o tipo de aplicação que a blockchain terá dentro de cada companhia depende do tipo de operação, das dificuldades e desafios dessa empresa e até mesmo do orçamento.

 

“Por isso, nossa ideia é trabalhar como uma consultoria. Nós vamos às empresas, inicialmente, para apresentar a blockchain e seu potencial. Nessa primeira reunião, os executivos já começam a perceber onde a tecnologia pode ser aplicada. A partir daí, começamos um processo de consultoria atrelado a design thinking. O foco é chegarmos em um caso de uso inicial e traçamos um plano para o desenvolvimento e integração base na tecnologia blockchain”, completa o executivo.

 

Na visão dele, o Brasil vive o momento de criação de sinergia com mercados e indústrias para a criação de redes de negócio mais baratas, seguras e transparentes. E como o blochchain é uma tecnologia de transformação, o debate deve ser posto na mesa. Para Xavier, existe uma crise de confiança generalizada no mundo inteiro e permitir com que cadeias de negócio e valor sejam mais confiáveis é o desafio das próximas décadas.

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