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Como será a Dell Technologies no Brasil?

CEO coloca a operação local no ranking dos países mais estratégicos e reconhece a boa atuação do time brasileiro. Nesse cenário, a VMware também tem um papel fundamental para ajudar no crescimento dos negócios

Por: Léia Machado, ⌚ 03/05/2018 às 11h37 - Atualizado em 03/05/2018 às 11h40

Durante a conferência Dell Technologies World, que acontece essa semana em Las Vegas, o CEO da companhia, Michael Dell, destacou que o Brasil está entre os Top 25, ranking dos países mais estratégicos nos negócios da gigante de tecnologia. Mesmo diante de um cenário complexo na política e economia, as operações locais seguem um bom ritmo de evolução.

 

“O mais interessante nisso é olhar para os negócios da Dell no Brasil e nos países emergentes. Estamos crescendo, principalmente porque temos um time local muito bom para levar toda capacidade tecnológica do nosso portfólio para as empresas brasileiras”, destaca o líder da Dell durante coletiva de imprensa.

 

Luis Fernando Gonçalves, VP e general manager da Dell Commercial Brasil, é um dos responsáveis para fazer a operação da Dell decolar. Segundo ele, o primeiro semestre foi muito bom, tanto no mercado corporativo quanto no doméstico, em que a meta foi batida muito antes do fechamento do trimestre, que será na próxima sexta, 04.

 

“O que mais chamou a atenção foi o setor de usuários finais. O início do ano foi excelente, havia um entusiasmo na economia e as pessoas foram às compras fazendo uma renovação de computadores domésticos. Isso nos surpreendeu positivamente”, diz o executivo em uma conversa com jornalistas brasileiros.

 

Entretanto, esse entusiasmo vem perdendo a força, principalmente diante da alta do dólar, das taxas de desemprego que seguem em elevação e das eleições brasileiras. Mas, segundo Gonçalves, isso não deve impactar o desempenho da Dell no Brasil, pois as lideranças locais desenharam as estratégias comerciais diante de vários cenários macroeconômicos.

 

“A ideia é se manter no ritmo de crescimento e atuar de forma mais confortável no mercado. Criamos um plano cauteloso de acordo com as variáveis das eleições não só no Brasil, mas em toda América Latina”, acrescenta. Essa estratégia tem levado a Dell no topo do market share no Brasil. A companhia tem 47% do mercado de servidores, por exemplo, e em 2017, a liderança foi ampliada no mercado de storage, hiperconvergência e PCs.

 

Na área enterprise, em que a Dell tem um time focado em atender as grandes contas, o crescimento deve ficar em 50% ano a ano. Segundo Giampaolo Michelucci, VP de Vendas na Dell EMC, a oscilação cambial impacta mais entre as organizações, se o dólar ficar acima dos R$ 3,50 os projetos sofrem reajuste.

 

“De qualquer forma, estamos evoluindo, as soluções não funcionam sozinhas, elas precisam do time para implementar no cliente e esse é nosso principal diferencial, uma visão muito focada no cliente com um toque de consultoria. Na área enterprise essa sinergia é ainda mais importante”, acrescenta.

 

O papel da VMware nesse jogo

 

Para manter essa liderança, a VMware tem um papel fundamental na estratégia. O Luis Gonçalves afastou os rumores de que a Dell (com capital fechado) estudava uma fusão com a VMware – hoje, a Dell detém 82% da VMware, que tem capital aberto – como uma forma de manter o crescimento. De acordo com o executivo, a VMware segue com operações independentes no seu ecossistema de canais e parceiros. “A formação de capital é distinta e ela possui outros sócios, não temos pretensão de que elas sejam apenas uma empresa, mas sim, parceiras”, pontua.

 

Pat Gelsinger, CEO da VMware, enfatiza essa estratégia durante a conferência, reforçando que a as duas empresas estão trabalhando juntas, integrando portfólio e atuando como parceiras. “Até o momento, não queremos que Dell e VMware sejam uma única empresa, elas têm uma atuação de parceria. Até porque, uma fusão causaria estranheza no mercado, principalmente diante dos nossos parceiros como IBM, Palo Alto, HP, entre outros”, esclarece o líder da VMware.

 

Na oferta de soluções de hiperconvergência, a Dell Technologies acredita que a melhor opção para os clientes é entregar a plataforma de infraestrutura Dell EMC rodando VMware. Mas isso não é uma regra, tudo depende da demanda do cliente. “O que estamos mostrando para o mercado é que temos um portfólio de soluções pré-instaladas, não impomos nada para o cliente, ele pode escolher o caminho da modernização, seja com VMware ou outra solução de mercado”, completa Gonçalves.

 

Ele finaliza dizendo que a VMware foi evoluindo ao longo dos anos e por isso conquistou profundamente o mercado. A virtualização promovida pela companhia iniciou nos servidores, passou pelo networking e agora está nos devices. Nessa jornada, a possibilidade de virtualizar redes também foi incluída a microsegmentação, que colabora nos processos de segurança. “Nossa evolução está acontecendo e hoje chegamos ao ponto de trazer inovação em qualquer lugar, no device, na aplicação e na cloud”, conclui Pat Gelsinger.

 

*Léia Machado viajou para Las Vegas a convite da Dell Technologies

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