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As aplicações da IA e os carros autônomos

Acidente com veículo da Uber, no início da semana, levanta questões sobre o uso da inteligência artificial, os testes práticos e sua evolução para utilização massiva no futuro

Por: Jackson Hoepers, ⌚ 22/03/2018 às 15h46 - Atualizado em 22/03/2018 às 15h46

No início dessa semana a Uber enfrentou mais uma crise: um de seus carros autônomos, que era testado em Tempe, Arizona (EUA), acabou atropelando e levando à óbito uma pedestre que atravessava a rua. A vítima morreu no hospital em decorrência dos ferimentos e foi a primeira morte relacionada com veículos embarcados com tecnologia de inteligência artificial.

 

O incidente levanta questões sobre o uso dessa tecnologia e os testes com veículos autônomos, que já são praticados por várias montadoras, em comum acordo com o governo de estados norte-americanos. A Uber suspendeu todos os testes imediatamente após o ocorrido e informou que está cooperando com as autoridades no caso.

 

Para Márcio Gonçalves, doutor em Ciência da Informação e professor do Ibmec/RJ, os testes com carros autônomos precisam continuar. “Esses carros ainda são protótipos. Os testes são necessários porque a tecnologia precisa passar por etapas de aprimoramentos”, afirma Gonçalves.

 

Um estudo da Capgemini aponta que, no Brasil, 76% dos consumidores gostariam de comprar um carro criado por empresas de tecnologia como Google ou Apple, caso elas o vendessem. Mas, a confiança ainda está dividida entre os consumidores que preferem os fabricantes consagrados (51%) em detrimento das novas empresas de tecnologia que se arriscam nesse campo, como a Uber, por exemplo.

 

Segundo Gonçalves, a inteligência artificial tem capacidade para prever e evitar esse tipo de acidente, mas as variáveis precisam ser estudadas à medida que surgem. “Em laboratório o cientista está no comando, mas quando submetemos o projeto a testes em ambientes de baixo controle, tudo pode acontecer”, revela.

 

A discussão sobre veículos autônomos e IA traz à tona as aplicações práticas e o futuro da humanidade, bem como a possibilidade de melhorar a relação homem-máquina.

 

“Os carros autônomos farão parte do futuro sim, mas não no sentido que já querem utilizá-los. Eles poderiam ser mais úteis em ambientes fechados e trechos curtos”, revela Gonçalves. “A inteligência artificial não tem a complexidade da linguagem natural. Esse incidente prova que a tecnologia está tomando a frente das pessoas”, completa.

 

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